Preservação histórica para um mundo melhor

Preservação histórica para um mundo melhor

A importância dos museus como ferramentas de reflexão sobre a atuação humana é a questão básica da palestra “Políticas públicas para museus: a preservação do patrimônio cultural em museus de ciência e tecnologia”, que será apresentada por Simone Flores Monteiro, coordenadora de Projetos Museológicos do Museu de Ciências e Tecnologia PUCRS, no Preserva.ME 2018, evento que tem o patrocínio da Eletrobras.

Em entrevista, a historiadora e doutora em museologia fala um pouco sobre como as políticas públicas são fundamentais para a articulação dos projetos de preservação histórica.

Por que preservar a memória é importante para a ciência?

Memória, ciência e tecnologia são questões extremamente ligadas. Só se faz ciência com memória, e a tecnologia é justamente o instrumento que possibilita o desenvolvimento da memória. Por isso, é importante que tenhamos políticas públicas pensadas para a questão da preservação histórica e, principalmente, articuladas dentro da academia e das escolas.

Ter uma melhor gestão das instituições de preservação histórica nos proporciona a articulação dos conhecimentos que serão colocados à serviço da sociedade.

Qual a importância dos museus nesse contexto?

O museu é o local de reflexão de tudo aquilo que o homem faz e que já fez. Onde ele pode, com auxílio de todo conhecimento e memória produzidos, pensar a sua atuação em sociedade.

Existe diferença entre instituições públicas e privadas na preservação histórica?

Independente do financiamento de um projeto ser realizado por via pública ou privada, o importante é que a política pública que o orienta tenha sido elaborada no sentido de promover os interesses da sociedade como um todo, prevendo também a articulação desses diversos atores sociais.

O que o Brasil perde quando não valoriza seu patrimônio científico e histórico?

Nós perdemos a capacidade de trabalhar em conjunto para modificar a realidade, ficando mais lentos na evolução para uma sociedade mais justa. Respeitar o patrimônio histórico e científico, em suma, é respeitar o outro e trabalhar para a igualdade. É na comunhão dos diversos saberes e conhecimentos que a gente tem condições de mudar a realidade e ao negligenciarmos isso, tomamos uma atitude de retrocesso.

Você liga preservação histórica e igualdade social. Por quê?

Vamos refletir juntos. Nós não preservamos e estudamos uma cadeira, um sapato, um quadro, ou um fóssil por ele ou pelo valor dele em si. O valor que ele tem, na verdade, é um valor relacional, é a maneira como, a partir dele, podemos entender a sociedade na qual ele foi produzido, ou a biodiversidade que ele estava incluído. Então, esses diferentes acervos têm a ver com a vida do homem e somente entendendo as nossas vidas, a nossa evolução e a evolução das nossas relações na vida, é que a gente pode trabalhar para uma sociedade mais justa, mais igualitária. É a partir desse estudo que os museus se tornam ferramentas para que a gente possa se entender, se compreender nesse mundo e tornar ele um lugar melhor.

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