Invenções Chocantes

03---Aspirador--Puffing-Billy-1901---Museu-de-Ciências

Máquina do aspirador de pó Puffing Billy de 1901. Acervo Science Foto Library.

Os primeiros aparatos para a remoção de poeira apenas espalhavam-na ao vento, levando-a para outros lugares. Foi na tentativa de mudar essa realidade que o inventor norte-americano Ives McGaffey fez o primeiro protótipo do aspirador de pó. Projetado em 1871, o aparelho era movido por um motor a vapor e era tão grande e barulhento que só se adequava para o uso industrial.

Em 1901, o empresário britânico Hubert Cecil Booth modernizou o equipamento e fabricou o primeiro aspirador de pó movido a energia elétrica. Embora funcionasse a vácuo e fosse eficiente, o modelo ainda era volumoso e difícil de manejar.

No ano seguinte, Booth fundou a Vacuum Cleaner Company, que prestava serviços de limpeza em residências e escritórios, o que exigia a mobilidade do equipamento. Booth teve então a ideia de acoplar sua máquina a uma carruagem, dando ao conjunto o nome de Puffing Billy. A carruagem estacionava na frente do estabelecimento e aspirava a sujeira dos cômodos por meio de longos tubos que entravam pelas janelas.

Como todo o processo era visível pelos passantes, o sucesso da empresa foi imediato. Tanto assim, que o rei Eduardo VII contratou Booth para fazer a limpeza regular dos palácios de Windsor e Buckingham.

Algum tempo depois, o norte-americano James Murray Spangler conseguiu construir um aspirador mais leve e cômodo e vendeu seu invento para William Hoover, um fabricante de arreios para cavalos. O novo aparelho logo superou a imensa máquina inglesa, e a fábrica de aspiradores de pó Hoover tornou-se a líder mundial na fabricação do eletrodoméstico.

CURIOSIDADE

Na década de 1950, o design dos eletrodomésticos passou a ser influenciado pelos desenhos dos painéis dos automóveis e pela corrida espacial. Os aspiradores de pó, por exemplo, ganharam a forma de foguetes, e os refrigeradores foram adornados com faroletes e com os detalhes cromados dos carros americanos. No Brasil, João Arnstein, dono da empresa Arno, logo aderiu a essa moda, fazendo toda a sua primeira linha de eletrodomésticos com base em projetos da empresa americana Sears Roebuck & Co. e conferindo aos seus produtos um design moderno e arrojado.

02--Condicionador-de-ar-Carrier-de-1930---Science-&-Socie

Condicionador de ar Carrier de 1930. Reproduzido do livro Science and Society.

Até 1902, quando o engenheiro norte-americano Willis Carrier criou o primeiro condicionador de ar mecânico, uma bacia de gelo suspensa era o sistema mais utilizado para refrescar os ambientes. Este mecanismo, que contava também com abanadores, havia sido instalado pela primeira vez em um hospital da Flórida, no final do século XIX, para proporcionar maior conforto aos pacientes de malária. Todavia, ainda era preciso encontrar uma maneira mais eficiente para reduzir a temperatura do ar e, nesse sentido, vários estudos vinham sendo feitos em todo o mundo.

Willis Carrier tinha também um outro objetivo: eliminar a umidade que deformava os papéis utilizados na impressão de fotografias e jornais da Companhia Editora e Litográfica Sackett-Wilhems de Nova York. Foi pensando nisso que ele desenvolveu uma máquina que fazia o ar do ambiente circular através de condutores resfriados por um compressor de amônia, utilizando como ponto de partida o sistema concebido em 1859 pelo francês Ferdinand Carré, durante suas pesquisas para criar a geladeira.

O aparelho de Carrier, surpreendentemente, cumpria quatro funções diferentes: limpava, refrescava, fazia circular e retirava a umidade do ar. Por isso, a patente do condicionador de ar foi concedida ao engenheiro em 1906.

Em 1914, um dos equipamentos fabricados por Carrier foi usado pela primeira vez numa residência, no estado norte-americano de Minnesota e, no mesmo ano, o engenheiro instalou o seu primeiro condicionador de ar hospitalar, em Pittsburgh. O sistema eliminava a umidade do berçário para bebês prematuros, contribuindo para reduzir a mortalidade causada por problemas respiratórios.

Willis Carrier fundou a Companhia de Engenharia Carrier em 1915 e aperfeiçoou o aparelho, passando a utilizar um novo gás refrigerante não inflamável, o freon, mais apropriado para uso em sistemas de menor capacidade, além de mais seguro e barato. A empresa passou então a fabricar unidades para fins comerciais e, por volta do início da década de 1930, o condicionador de ar Carrier já podia ser encontrado em grande número por toda a cidade de Nova York.

CURIOSIDADE

O projeto do Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi o primeiro do Brasil a contar com um sistema de refrigeração do ar. Construído entre 1905 e 1909, com base no projeto arquitetônico de Pereira Passos, tinha o sistema de ventilação e refrigeração moldado pela Siemens, que já havia instalado um sistema igual no Teatro Municipal de Nuremberg. Dois ventiladores enormes introduziam o ar, refrigerado por compressores a base de gás sulfuroso, pelo teto da plateia e do palco. O operador ou maquinista, como era chamado na época, precisava ligar o equipamento duas horas antes do espetáculo.

04---Primeiro-ferro-elétrico

Primeiro ferro de passar elétrico. Acervo Museu de Ciências de Londres.

Antes da popularização do algodão, no século XVIII, os chineses já utilizavam uma panela de latão cheia de brasas para esticar seus tecidos. Foi com base nessa técnica que os ocidentais, com o objetivo de conferir melhor aparência às roupas usadas na época, inventaram os primeiros apetrechos portáteis de passar.

Chamados de ferros de engomar por serem feitos de ferro fundido ou bronze, esses aparelhos possuíam uma cavidade onde era possível acomodar pequenos pedaços de carvão em brasa. O carvão aquecia a chapa de metal e, assim, era possível passar camisas e calças. Entretanto, além do processo de aquecimento e acondicionamento das brasas ser demorado e trabalhoso, o carvão e o ferro frequentemente sujavam as roupas.

Assim, em 1882, logo após o advento da eletricidade, Henry W. Seely, inventor americano que morava na cidade de Nova York, desenvolveu o primeiro ferro de passar roupas elétrico. Seu aparelho

substituiu as brasas por uma resistência à base de carbono, que produzia calor suficiente para esquentar a chapa de metal.

Embora eficiente, os usuários do ferro de passar de Seely tinham dificuldade para controlar sua temperatura, o que provocava queimaduras e estragava alguns tecidos. O problema só foi resolvido definitivamente quando, no início da década de 1930, um pequeno termostato giratório foi incluído no aparelho.

CURIOSIDADE
Os ferros a carvão ainda são usados nos países onde a eletricidade não é barata e acessível.

04-Fonografo-de-Edison---Science-Museum

O fonógrafo de Thomas Edison. Acervo Museu de Ciências de Londres.

A criação de máquinas que reproduzissem sons foi objeto de estudo de muitos cientistas que, em um período de tempo relativamente curto, desenvolveram uma grande quantidade de aparelhos. A história começa em 1877, quando Thomas Alva Edison tentava projetar um aparelho de telégrafo que gravasse os traços do código Morse em um disco. Edison montou então seu criativo fonógrafo, um modelo que possuía um tambor cilíndrico rotatório, recoberto por uma folha de estanho e que foi o primeiro aparelho a reproduzir um som gravado que realmente funcionou. O fonógrafo de Edison ficou conhecido como o “fonógrafo de folha de estanho”.

Em sua primeira demonstração, para um amigo que trabalhava na revista Scientific American, Edison disse no bocal da corneta de seu recém-montado aparelho a seguinte frase: “Maria tinha um cordeirinho”. A corneta estava ligada a uma agulha, que gravava os padrões sonoros em sulcos na folha de estanho e depois reproduzia o som gravado, estranhamente abafado. Apesar disso, Edison ficou satisfeito com o sucesso de seu experimento, e os resultados obtidos pelo cientista, que na época já era famoso, foram publicados na revista do amigo em um artigo que mencionava que o impossível havia sido realizado e a voz humana havia se tornado imortal.

Nos anos seguintes, outros cientistas tentaram melhorar a tecnologia do fonógrafo. O próprio Edison, associado a Charles Tainter, fez uma versão melhorada de seu aparelho em 1886, mas somente em 1887 o alemão Emil Berliner conseguiu substituir o cilindro do aparelho de Edison por um disco recoberto por zinco, recebendo a patente do modelo que chamou de gramofone. Outra diferença entre os dois aparelhos foi determinante para a obtenção da patente por Berliner: enquanto no fonógrafo de Edison o som era registrado no sulco produzido pela agulha, em profundidade, nos discos o registro era lateral. A semelhança era que a rotação de ambos era muito irregular, feita por um motor de corda com o auxílio de uma manivela.

05-Gramofone-de-Berlinder---Science-&-Society

Gramofone de Berliner. Reproduzido do livro Science and Society.

Em 1896, o gramofone passou a ser produzido com um motor de corda com 78 rotações regulares por minuto, transformando-se no grande rival do fonógrafo que, em pouco tempo, se tornou obsoleto. Em 1925 a gravação em 78 rotações se tornou padrão mundial, e todos os aparelhos acústicos passaram a ter a corneta embutida e ganharam o sufixo “ola” aposto à marca. Os produzidos pela Columbia, por exemplo, chamavam-se Grafonolas, os da Odeon tinham o nome de Odeonola e os da empresa de Berliner, a Victor Talking Machine Company, Victrola. Uma curiosidade é a origem da marca registrada da Victrola: um cão próximo a um gramofone, imagem eternizada pelo pintor inglês

Francis Barraud do terrier de seu irmão, Nipper, que, ao ouvir a voz do dono gravada nos cilindros de um fonógrafo, se aproximava do aparelho. Na marca da Victrola, que passou a ser conhecida como “a voz do dono”, o “velho” fonógrafo foi substituído por um recém-lançado gramofone.

CURIOSIDADE

No Brasil, a Casa Edison iniciou a fabricação de gramofones em 1910, no Rio de Janeiro. Na verdade, os aparelhos eram apenas montados aqui, sendo certo que seus motores e diafragmas vinham da Alemanha, da França ou dos Estados Unidos. Nos aparelhos brasileiros, a corda era suficiente para tocar apenas um disco e os mais comuns tinham sua corneta em forma de flor, o controle de velocidade na frente e um freio na plataforma superior, do lado direito.

01 - Refrigerador 1934 - Museu de Ciências

Refrigerador General Electric de 1934. Acervo Museu de Ciências de Londres.

Durante muitos séculos os homens conservaram os alimentos empacotando-os com gelo natural ou neve. Mesmo durante o verão era possível coletar blocos de gelo nas áreas montanhosas e, isolando-os com palha, mantê-los por algum tempo nos subsolos das casas.

Apesar disso, por um longo período, diversos cientistas fizeram tentativas para criar mecanismos de refrigeração artificial. A maioria delas se baseava na compressão e descompressão de gases. Quando os gases são comprimidos se tornam líquidos e se aquecem naturalmente; quando eles são expandidos, voltando ao estado gasoso, acontece o seu resfriamento. Foi com base nessa teoria que surgiu, em 1805, na Austrália, a primeira máquina de éter comprimido capaz de manter a temperatura do ambiente onde se encontrava levemente abaixo da temperatura dos arredores. Todavia, até meados do século XIX, restaurantes e residências ainda mantinham seus produtos perecíveis em grandes caixas de madeira, com dois compartimentos diferentes: um para os blocos de gelo e outro para os alimentos.

O primeiro passo significativo para o sucesso de um sistema de refrigeração eficiente e que pudesse ser comercializado só foi dado em 1859, pelo francês Ferdinand Carré, que concebeu um compressor de amônia com uma serpentina que circulava ao redor de um grande recipiente e conseguia absorver o seu calor interno.

Embora o equipamento de Carré tenha sido o primeiro refrigerador a ser comercializado, ele era utilizado apenas para fins industriais, pois não atendia plenamente às necessidades da população, por ser muito grande e pesado. Além disso, a amônia é altamente tóxica, e um vazamento poderia ser fatal.

Assim, podemos considerar que a primeira geladeira projetada para uso doméstico foi a Domelre, fabricada na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, em 1913. A Domelre utilizava o gás hélio no lugar da amônia e seu compressor ficava na parte superior. Embora ainda fosse muito grande, chegando a ter mais de dois metros de altura, o aparelho fez tanto sucesso que foi copiado por toda a indústria de eletrodomésticos.

CURIOSIDADE

Uma das primeiras fábricas de refrigeradores brasileira surgiu em um pequeno galpão, na cidade de Brusque, em Santa Catarina, onde dois jovens fabricavam anzóis, consertavam bicicletas e faziam a manutenção de aparelhos domésticos. Eles tiveram a ideia de montar refrigeradores quando precisaram consertar, pela primeira vez, uma geladeira importada que não funcionava mais. Ficaram

tão impressionados com a máquina que resolveram estudar o seu funcionamento e fabricar artesanalmente um aparelho semelhante, que funcionava com querosene e deu origem à Consul, indústria de eletrodomésticos que atua até os dias de hoje.

Um número considerável de cientistas já havia desenvolvido lâmpadas incandescentes, mas nenhuma delas funcionou adequadamente até 1878, quando, aos 31 anos, o norte-americano Thomas Alva Edison se envolveu com iluminação.

Naqueles tempos, já se sabia que alguns materiais, ao serem submetidos a uma corrente elétrica, esquentavam e passavam a emitir luminosidade. Todavia, as lâmpadas elétricas produzidas até então costumavam apresentar um problema básico: os filamentos eram feitos com materiais que não suportavam as altas temperaturas, queimando ou derretendo com facilidade.

Ao ar livre, como o oxigênio alimenta o calor, as lâmpadas queimavam e se apagavam em questão de segundos. Foi por isso que os filamentos das lâmpadas elétricas passaram a ser envolvidos por globos de vidro, de onde era retirado todo o oxigênio, o que criava um ambiente conhecido como vácuo. O inventor Thomas Edison, instigado pelo amigo e professor universitário George Baker, resolveu criar uma lâmpada cujo filamento fosse feito com um material mais fino, que exigisse uma pequena quantidade de corrente elétrica para se aquecer e resistisse ao calor por mais tempo.

Em sua busca, Edison testou um grande número de metais até que passou a usar filamentos feitos com fibras naturais carbonizadas. Assim, em 1879, produziu uma lâmpada com filamento de algodão cozido que funcionou por 15 horas seguidas e lhe proporcionou a patente da lâmpada elétrica eficiente.

Apesar disso, Edison não se deu por satisfeito e continuou sua pesquisa até conceber uma lâmpada com filamento de bambu, importado do Japão, que permaneceu acessa por 900 horas. Ao descobrir que os filamentos feitos com o carvão resultante de fibras de celulose duravam mais tempo, Edison passou a trabalhar na implantação do primeiro sistema de distribuição de energia elétrica da cidade de Nova York e fundou a Edison Electric Light Company.

CURIOSIDADE 

Foi D. Pedro II que autorizou Thomas Alva Edison a trazer para o Brasil a lâmpada elétrica. O Imperador conheceu a energia elétrica em uma viagem aos Estados Unidos e solicitou a Edison que trouxesse para o Brasil todos os seus inventos. Em 1879, mesmo ano em que Edison produziu a primeira lâmpada com filamento a carvão, foi inaugurada também a primeira instalação pública da lâmpada elétrica em terras brasileiras, na Estação Central da Estrada de Ferro D. Pedro II (atual Estrada de Ferro Central do Brasil), no Rio de Janeiro (RJ).

Lâmpada a vapor de mercúrio 1901Durante toda a segunda metade do século XIX, cientistas e engenheiros tentaram desenvolver técnicas de iluminação com o objetivo de substituir a lâmpada incandescente inventada por Thomas Alva Edison. A maioria buscava minimizar o calor e melhorar a luminosidade, por meio do lançamento de uma descarga elétrica através de gases que, durante o processo, emitiam luz.

Neste período, várias espécies de lâmpadas, que posteriormente ficaram conhecidas como lâmpadas de descarga ou lâmpadas fluorescentes, foram fabricadas, mas nenhuma fez tanto sucesso como as lâmpadas a vapor de mercúrio, criadas pelo engenheiro eletricista norte-americano Peter Cooper Hewitt em 1901.

Hewitt descobriu que o vapor de mercúrio, ao ser atingido por uma descarga elétrica, emitia raios ultravioleta (raios UV). Normalmente, os raios UV não podem ser vistos pelo olho humano, mas Hewitt descobriu também que, ao serem absorvidos e refletidos pelo fósforo, esses raios se tornavam visíveis e geravam luminosidade.

Com isso em mente, o engenheiro resolveu fazer uma nova lâmpada cujo bulbo de vidro, além de conter vapor de mercúrio, era revestido, na parte interna, por uma camada de pó de fósforo. Para seu espanto, a lâmpada funcionou perfeitamente: o fósforo absorvia e refletia os raios ultravioleta emitidos pelo vapor de mercúrio, proporcionando uma intensa luz branco-azulada.

Apesar de as lâmpadas a vapor de mercúrio levarem de 2 a 15 minutos para estabilizar seu fluxo luminoso, logo elas se mostraram mais eficientes que as lâmpadas incandescentes, pois sua fabricação era barata e elas duravam mais tempo. O sucesso foi tão grande que, naquele mesmo ano de 1901, o engenheiro se associou ao empresário George Westinghouse para produzi-las em grande escala.

As primeiras lâmpadas fluorescentes foram utilizadas apenas para a iluminação interna de fábricas e laboratórios, mas assim que as vantagens foram ficando evidentes, elas passaram a ser utilizadas também na iluminação das ruas e parques de quase todas as cidades norte-americanas.

CURIOSIDADE

Apesar de terem sido inventadas no início do século XX, as lâmpadas de descarga, ou fluorescentes, só começaram a ser fabricadas no Brasil em 1942, pela General Electric. As primeiras vias públicas brasileiras a serem iluminadas com a nova tecnologia contaram com lâmpadas importadas, como as luminárias inglesas que foram instaladas na avenida Brasil, no Rio de Janeiro (RJ), em 1949. A nova iluminação da avenida tinha como objetivo diminuir o número de acidentes e atropelamentos.

Em 1902, o químico francês Georges Claude, ao tentar extrair oxigênio puro do ar para o uso em hospitais, descobriu os chamados gases nobres, mais precisamente, gases que não reagem com outros elementos. Claude experimentou então passar uma corrente elétrica por um tubo contendo diferentes gases nobres e percebeu que um deles, o gás néon, nessas circunstâncias, produzia uma luz intensa, brilhante e de cor alaranjada.

Alheio à corrida entre os vários cientistas e inventores que tentavam melhorar o desempenho e o desenho da lâmpada elétrica, inventada por Thomas Edison em 1879, Claude não deu muita importância para sua descoberta. Alguns anos depois, estimulado pelo publicitário Jaques Fonseque, Claude iniciou uma série de novas experiências, misturando outros gases ao néon e introduzindo-os em tubos com formatos diferentes.

As novas misturas proporcionaram novas cores, e Claude resolveu então, além de fazer uma demonstração pública de suas lâmpadas em Paris, montar uma pequena fábrica de letreiros luminosos, em 1910. Dois anos depois, o químico instalou seu primeiro letreiro em uma barbearia no

bairro de Montmartre e, em 1919, ergueu um enorme sinal sobre a entrada da Ópera de Paris, iniciando uma revolução no mercado da sinalização.

Entretanto, foi nos Estados Unidos que as luzes de néon realmente se difundiram. Claude fez seu primeiro letreiro americano, em 1923, para uma revendedora de automóveis em Los Angeles, e, cerca de cinco anos depois, só em Nova York, já havia cerca de 750 estabelecimentos com letreiros feitos com o gás nobre néon.

CURIOSIDADE

As lâmpadas néon foram utilizadas pela primeira vez no Rio de Janeiro (RJ) para comemorar o feriado de 7 de setembro. Foi em 1927, quando o então presidente da República, Washington Luís, organizou uma grande festa nos jardins do Palácio Guanabara, em comemoração à independência do Brasil. Depois disso, lâmpadas néon importadas passaram a ser comercializadas por aqui, mas o uso de letreiros luminosos só virou moda na década de 1950, depois da Segunda Guerra Mundial.

06 - Liquidificador Megamix 1951

Liquidificador Megamix de 1951. Museu de Ciências de Londres.

O primeiro misturador, protótipo dos liquidificadores, surgiu nos Estados Unidos, em 1922, para facilitar a preparação de bebidas, especialmente do milkshake, que se tornou muito popular no mundo todo e é apreciado até os dias de hoje.

Naqueles tempos, o milkshake era feito com leite em pó, produto que se diluía mais facilmente em água quente. Na água fria, o pó empelotava, e os funcionários encarregados do seu preparo perdiam muito tempo batendo a mistura até que se tornasse cremosa. Para evitar este trabalho, o imigrante polonês Stephen Poplawski desenhou, em 1922, um recipiente de vidro que se encaixava em um pequeno motor elétrico com pás giratórias.

Poplawski criou então a Stevens Electric, primeira empresa fabricante de misturadores do mundo, que fornecia o equipamento para a rede de lanchonetes Soda Fountain, comerciante de uma série de bebidas gaseificadas e vitaminas.

Foi no final dos anos 1920 que a invenção, que até então era utilizada apenas para misturar bebidas em lanchonetes, passou a ter outra função: liquefazer alimentos sólidos nas cozinhas dos hospitais que preparavam as dietas líquidas e pastosas para os pacientes com dificuldade de engolir.

Para que o equipamento pudesse desempenhar melhor essa nova função, já na década de 1930, a Hamilton Beach Company, empresa americana de equipamentos para cozinha, dedicou-se a aprimorar e corrigir as deficiências do sistema de lâminas e de vedação do copo do aparelho de Poplawski, passando a produzir um aparelho mais eficiente, em escala industrial.

CURIOSIDADE

O primeiro liquidificador brasileiro, fabricado em 1944, foi batizado de Nêutron e permaneceu no mercado até 1960. Naquele ano, o imigrante alemão Valdemar Clemente, que fabricava artigos para iluminação em uma empresa de produtos elétricos, reuniu seus funcionários para estudar um liquidificador que acabara de importar. Depois de entender o mecanismo, resolveu montar um aparelho semelhante que foi o primeiro passo para transformar sua empresa, a Walita, em uma das maiores fabricantes de eletrodomésticos do país.

05---Máquina-de-lavar-1920---Science-Museum

Máquina de lavar roupa elétrica de 1920. Acervo Museu de Ciências de Londres.

Apesar de ter sido um dos primeiros passos para a mecanização dos trabalhos domésticos, a história da máquina de lavar roupas é uma das menos documentadas e mais controversas.

Lavar tecidos sempre foi uma tarefa difícil e, durante a primeira metade do século XIX, mais precisamente até o ano de 1858, quando o norte-americano Hamilton Smith patenteou a primeira máquina de lavar mecânica, as donas de casa levavam horas para realizar esta tarefa.

A máquina de Smith foi o primeiro passo para mudar essa rotina. Feita com uma grande tina cilíndrica de madeira, ela possuía pás giratórias e uma manivela que era operada manualmente. Seu modelo foi copiado por vários fabricantes e utilizado até 1910, quando a empresa americana Hurley Company começou a fabricação da Thor, considerada a primeira máquina de lavar elétrica por grande parte dos historiadores.

As dúvidas sobre a invenção existem porque, embora a Thor tenha sido patenteada pelo engenheiro Alva Fisher em 1908, existem registros anteriores de lavadoras elétricas que não foram considerados. Um bom exemplo é a máquina de J. T. Winans, patenteada em 1907. Seu desenho detalhado demonstra que o equipamento utilizava, originalmente, uma pequena turbina movida à água. Entretanto, a máquina de Winans aparece com um motor elétrico em uma fotografia de um panfleto de uma empresa americana, a 1900 Company, datado de dezembro do mesmo ano.

A Thor, por sua vez, além do motor elétrico que fazia movimentos nos dois sentidos e lavava melhor a roupa, tinha vários mecanismos inéditos, como uma torneirinha para drenar a água suja, rodinhas para facilitar o seu transporte e um sistema com dois rolos que comprimiam as roupas para retirar o excesso de água das mesmas, evitando que fossem torcidas.

Apesar disso, a Thor espirrava água para todos os lados e, como seu motor ficava desprotegido na parte externa, os respingos o atingiam com frequência, danificando-o facilmente.

CURIOSIDADE

Antes da invenção da máquina de lavar, as mulheres lavavam as roupas com sabão feito de gordura animal e as enxaguavam na água corrente dos rios. A técnica exigia muito tempo e esforço físico. Primeiro elas batiam os tecidos nas pedras e esfregavam areia nas manchas mais difíceis. Depois, as roupas eram deixadas ao sol para clarear, enxaguadas, torcidas na mão e penduradas em cordas para secar. Por isso, naqueles tempos, as roupas eram lavadas apenas de vez em quando. O surgimento da máquina de lavar, além de facilitar a tarefa das donas de casa, mudou os hábitos de higiene da população do século XX, que passou a lavar as roupas com mais frequência.

06-Receptor-Marconi---Science-Museum

Primeiro receptor de Marconi. Museu de Ciências de Londres.

O processo de invenção do rádio iniciou-se em 1887, quando o alemão Heinrich Hertz publicou os resultados de suas experiências, confirmando a existência de ondas eletromagnéticas que podiam ser transmitidas através do ar, previstas em 1864 por James Clerk Maxwell. Assim como Hertz, diversos cientistas de todo o mundo procuravam, naqueles tempos, uma maneira efetiva de transmitir sinais sonoros sem a utilização de fios, superando o telégrafo e o telefone.

O cientista russo Alexander Stephanovitch Popov, por exemplo, construiu em 1895 um aparelho que captava ondas eletromagnéticas na atmosfera, mas foi o receptor do físico italiano Guglielmo Marconi o primeiro a conseguir, em 1896, captar ondas sonoras, que atravessaram uma distância de mais de 14 quilômetros em terras inglesas. Encorajado pelo sucesso de suas experiências, dois anos depois Marconi fundou a Wireless Telegraph and Signal e, em 1899, estabeleceu uma estação radiotelegráfica em Londres e outra, a cerca de 50 quilômetros, no norte da França.

Naquela ocasião, cientistas de todo o mundo já sabiam que, assim como a luz, as ondas de radio só se deslocavam em linha reta e achavam impossível enviar os sinais a uma distância maior, por causa da curvatura da terra. Em 1901, entretanto, Marconi conseguiu superar tal obstáculo, enviando sinais da Inglaterra para o Canadá, por uma distância de mais de 3.200 quilômetros. O feito se tornou um mistério e não foi explicado na época, mas hoje sabemos que uma camada eletrificada na atmosfera refletiu as ondas de Marconi e as fez atingir o seu destino.

Em 1905, o pesquisador inglês John Ambrose Fleming inventou o diodo, uma válvula capaz de detectar com maior precisão as ondas radioelétricas. Dois anos depois, em 1906, o mundo tomou conhecimento da mais importante conquista para a radiocomunicação de que se tinha notícia até então: o triodo, criado pelo cientista norte-americano Lee De Forest, que aperfeiçoou o projeto do diodo acrescentando ao mesmo um terceiro eletrodo. O triodo foi batizado de Audion e, além de detectar os sinais, podia amplifica-los, tornando possível sua transmissão entre distâncias cada vez maiores e permitindo que várias pessoas ouvissem as transmissões do rádio ao mesmo tempo.

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A válvula de triodo de Lee De Forest. Reprodução do livro Science and Society.

Nos anos seguintes, outros pesquisadores deram prosseguimento aos estudos de Forest para aperfeiçoamento das válvulas, acrescentando elementos, melhorando sua eficiência e fazendo do rádio uma das mais importantes invenções da História. 

CURIOSIDADE

Em 1900, o padre e inventor gaúcho Roberto Landell de Moura transmitiu o som de sua voz através de um aparelho sem fio, construído por ele, que utilizava a luz como meio de transporte das ondas sonoras, do alto da Avenida Paulista, em São Paulo (SP), por uma distância aproximada de oito quilômetros. Landell de Moura obteve patente brasileira para seus inventos em 1901 e, meses depois, seguiu para os Estados Unidos. Seu trabalho foi notícia em 12 de outubro de 1902, no jornal americano The New York Herald, em reportagem sobre experiências desenvolvidas por cientistas de todo o mundo na transmissão de sons pelo ar. Em 1904, ele obteve do The Patent Office of Washington as patentes para um transmissor de ondas sonoras e para um telefone e um telégrafo sem fios.

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O primeiro telefone de Graham Bell. Reproduzido do livro Science and Society.

A história do telefone começou em 1861, quando o professor de matemática alemão Philipp Reis transmitiu os versos de uma canção através de um cabo de 100 metros, naquela que seria a primeira exibição pública da conversão de variações de corrente elétrica em ondas sonoras. Dez anos depois, em 1871, o italiano Antônio Santi Giuseppe Meucci inventou, nos Estados Unidos, um aparelho que consistia de um diafragma vibrante e de um magneto eletrizado envolvido por um fio em espiral. O diafragma vibrava ao som das palavras, modificando a corrente do magneto e transmitindo as vibrações para o fio, que as imprimia novamente ao diafragma, o qual, por sua vez, reproduzia as palavras.

Muito embora o jornal americano New York Times tenha atribuído a invenção do telefone a Philipp Reis, e o Congresso Americano tenha considerado, em 2002, o aparelho de Meucci como o primeiro, o mundo inteiro reconhece que o verdadeiro telefone só foi concebido alguns anos depois, a partir das contribuições do norte-americano Elisha Gray e do escocês Alexander Graham Bell que, em 1875, construíram, respectivamente, o primeiro receptor eletromagnético de som e o primeiro microfone de que se tem notícia.

O microfone de Bell, que era médico e fazia estudos sobre a surdez, transformava ondas sonoras em sinais elétricos e vice e versa, e foi o primeiro transmissor de som a funcionar efetivamente. A nova invenção foi o passo inicial de Graham Bell para a criação do telefone, cuja patente foi registrada no dia 7 de março de 1876. Algumas fontes revelam que a primeira chamada telefônica de voz inteligível aconteceu quando Bell, utilizando seu recém-criado transmissor, se comunicou com seu assistente, que se encontrava em outro cômodo, onde havia um receptor similar ao receptor de Gray.

Comutador de Brown. Acervo Museu de Ciências de Londres

Dois anos depois, em 1878, o físico inglês David Edward Hughes inventou o microfone de carvão, cujo princípio é utilizado até os dias de hoje, e o norte-americano Thomas Alva Edison aperfeiçoou o receptor sonoro. Neste mesmo ano, a primeira estação telefônica a fazer a comunicação entre muitas pessoas simultaneamente foi instalada na cidade de Hartford, em Connecticut, nos Estados Unidos. A estação reunia um grupo de operadores que trabalhava em uma enorme mesa onde as ligações eram conectadas manualmente, por meio de um sistema de plugues e tomadas.

Em 1889, o empresário Almon Brown Strowger desenvolveu um comutador automático que substituiu o sistema anterior, obtendo imenso sucesso. Seu aparelho tornou-se a base para todos os comutadores mecânicos que vieram depois e só foi superado durante a década de 1960, com o surgimento da eletrônica.

CURIOSIDADE

Em 25 de junho de 1876, ao experimentar o telefone de Graham Bell na Exposição de Filadélfia, nos Estados Unidos, Dom Pedro II exclamou: “Meu Deus, isto fala!”? Foi devido ao entusiasmo de D. Pedro II que Bell autorizou a instalação do primeiro telefone brasileiro no Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, para uso exclusivo do imperador. A instalação foi executada pela Western and Brazilian Telegraph Company, primeira companhia de telefonia do país, em 1879. 

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Aparelho telegráfico de Samuel Morse. Acervo Museu de Ciências de Londres.

A comunicação à distância começou a se tornar realidade em 1831, quando o cientista inglês Michael Faraday e o físico norte-americano Joseph Henry descobriram a indução eletromagnética, ou seja, a possibilidade de transformar energia mecânica em energia elétrica. Naquele ano, Faraday publicou sua famosa teoria da indução magnética que Henry demonstrou quando criou o primeiro eletromagneto, uma espécie de imã que enviava impulsos elétricos por um fio com mais de 1.600 metros de extensão, e que, chegando à outra ponta, faziam um sino tocar.

Foram os estudos de Faraday e Henry sobre indução e eletromagnetismo que estimularam o inventor norte-americano Samuel Morse, em 1838, a conectar diversos transmissores e receptores magnéticos e desenvolver um código que seria a base do telégrafo, primeiro sistema eficiente de comunicação através de fios. No código de Morse, cada letra do alfabeto era identificada por uma combinação de toques em uma chave de metal: toques rápidos, também conhecidos por pontos, e toques longos, também chamados de traços, que, nos anos seguintes, tornaram-se uma “linguagem” universal.

Apesar da resistência da população, que temia os choques elétricos que poderiam ser gerados pelo novo sistema de comunicação, a primeira linha telegráfica dos Estados Unidos foi posta em funcionamento em 1843. Os cabos ligavam as cidades de Washington e Baltimore, percorrendo cerca de 60 quilômetros. Nos anos seguintes, quase todo o continente americano foi interligado em um sistema complexo que contava com milhares de quilômetros de cabos aéreos e, em 1858, foi inaugurado o primeiro cabo submarino que seguia para a Europa. Na inauguração da comunicação intercontinental, a rainha Vitória da Inglaterra enviou uma mensagem de 90 palavras ao presidente americano James Buchanan, felicitando-o pela iniciativa.

Todavia, embora o telégrafo de Morse tenha se expandido com sucesso e em tão pouco tempo, o sistema inicial apresentou alguns problemas. Um transtorno era causado pelos receptores que, inicialmente, utilizavam um instrumento pontiagudo para perfurar o código em papel. Como as perfurações eram imprecisas, o problema só foi resolvido quando os receptores foram substituídos por aparelhos sonoros, em meados da década de 1850. De qualquer forma, os pontos e traços eram transmitidos por operadores diferentes, e o tempo de pressão nas teclas variava muito, confundindo o operador que estava na outra ponta.

CURIOSIDADE

A primeira linha telegráfica brasileira foi inaugurada pelo imperador Dom Pedro II, em 1852, no Rio de Janeiro. Os cabos aéreos ligavam o Palácio Imperial de São Cristóvão ao Quartel General do Exército, percorrendo um trecho de cerca de quatro quilômetros. Em 1865, durante a Guerra do Paraguai, a rede chegou a Porto Alegre e, em 1874, o primeiro telegrama brasileiro para a Europa foi enviado, por iniciativa do barão de Mauá, através de um cabo submarino que partia do Rio de Janeiro e atravessava o Oceano Atlântico até Portugal.

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Televisor de Baird. Acervo Centro de Ciências de Glasgow.

Transmitir imagens, assim como transmitir sons, era o sonho de vários cientistas e, por isso, diversas descobertas abriram caminho para o surgimento da televisão, palavra formada pelo grego tele, que quer dizer ao longe, associada ao verbo latino video, que quer dizer ver. A primeira aconteceu em 1873, quando o cientista escocês James Clerk Maxwell descobriu que a luz era uma onda que podia ser convertida em sinais elétricos e que, dessa forma, talvez também pudesse ser transmitida por meio de cabos e até através do ar.

Dez anos depois, em 1883, o jovem alemão Paul Nipkow conseguiu enviar o que chamamos de primeira imagem televisiva, utilizando um disco perfurado em forma de espiral, que dividia a luz emitida por um objeto em milhares de pontos que depois eram transformados em impulsos elétricos. Os impulsos eram enviados para um receptor que reorganizava os pontos e reproduzia a imagem do objeto de forma rudimentar e vaga.

O sistema de Nipkow provocou, durante vários anos e em todo o mundo, uma série de tentativas de aperfeiçoamento, até que, em 1920, o engenheiro e inventor russo Vladimir Zworykin construiu um aparelho chamado iconoscópio, um tubo de transmissão que utilizava elétrons para fragmentar as imagens e transformá-las em correntes elétricas.

Apesar disso, a invenção da televisão foi atribuída a um outro personagem: o escocês John Lodgie Baird. Em 1924, Baird conseguiu transmitir imagens fixas por um aparelho que não passava de uma caixinha de papelão cheia de furos, com uma lâmpada elétrica e um farolete de bicicleta. Ao projetar as imagens numa tela instalada em um laboratório do Royal Institute de Londres, esse invento doméstico fascinou um pequeno grupo de cientistas. Em 1926, o cinescópio, outra invenção do russo Vladimir Zworykin, permitiu que Baird criasse o primeiro sistema televisivo eficiente, transmitindo imagens de pessoas em movimento. O ano de 1926 foi, assim, oficialmente considerado o ano da criação da televisão.

Em 1937, o desfile da coroação do rei Jorge VI da Inglaterra foi transmitido pela televisão inglesa, na primeira experiência feita fora de estúdios.

Entretanto, como o cinescópio só produzia imagens sob a luz solar, Zworykin passou a aperfeiçoá-lo e, após diversas tentativas, construiu o órticon, que se tornou o tubo padrão para o sistema de transmissão de imagens em preto e branco no mundo inteiro.

Em 1940, o húngaro Peter Karl Goldmark inventou o sistema de televisão colorida, que foi inaugurado em 1948 pela Radio Corporation of America (RCA), primeira grande empresa norte-americana de telecomunicações.

CURIOSIDADE 

No Brasil, a televisão teve sua pré-estreia no dia 3 de fevereiro de 1950, com a apresentação do padre e cantor mexicano Frei José Mojica, mas as imagens não passaram do saguão do jornal Diários Associados, pertencente a Assis Chateaubriand, em São PauloFoi a primeira tentativa do jornalista de colocar no ar a TV Tupi, primeira rede de televisão nacional, cuja inauguração oficial só aconteceu em setembro, com a transmissão de um show de variedades, com orquestra ao vivo. Tudo era muito rústico, precário e em preto e branco. Além disso, pouquíssimas pessoas tinham um aparelho de televisão, que era caríssimo, e a programação só ficava no ar por três horas, sempre a partir das 20 horas.