História Eletrizante

Somente a partir de 1534, mais de três décadas depois do descobrimento do Brasil, em 1500, Portugal iniciou o processo de colonização das novas terras. O interesse estava nos produtos tropicais, especialmente no açúcar produzido a partir da cana, que poderia oferecer para o mercado europeu. A partir de então, diversos engenhos, que utilizavam mão de obra negra escravizada, foram instalados na colônia, principalmente no Nordeste.

Além da lenha, utilizada no cozimento do caldo da cana, a atividade açucareira foi responsável pelo aproveitamento de outra fonte primária de energia, a água. A energia hidráulica era utilizada para movimentar os enormes moinhos que amassavam a cana para a retirada do caldo. Os engenhos que possuíam moinhos de água eram muito mais produtivos que os outros, movidos pela força animal e humana.

Engenho de açucar e carro de boi

Gravura do artista alemão Johann Moritz Rugendas retratando um moinho de açúcar. S/d. Acervo Fundação Biblioteca Nacional.

O açúcar foi o principal produto de exportação da colônia até o final do século XVII, quando a descoberta de metais preciosos na região de Minas Gerais transformou a economia colonial, tornando-se a atividade dominante durante quase um século. A energia hidráulica foi muito utilizada no trabalho de mineração, que consistia em lavar as encostas com fortes jatos d’água. A lama, resultante da mistura da terra com a água, passava por cochos inclinados e forrados com peles de animais que retinham apenas o mineral.

Mineração

Aquarela retratando a mineração de diamantes em Minas Gerais. S/d. Acervo Fundação Biblioteca Nacional.

Além da energia hidráulica, a energia mecânica, obtida pela força dos animais, foi fundamental para o desenvolvimento da atividade mineradora. Localizada longe do litoral e em região montanhosa, a população mineira dependia muito das tropas de mulas e dos carros de boi para o transporte de cargas por terra. Eram eles que transportavam a lenha e a cana para os engenhos, e o açúcar até os portos de embarque.

Burros de carga

Aquarela de Joaquim Guillobel retratando tropeiros e muleiros. 1814. Acervo Fundação Biblioteca Nacional.

Por muito tempo, as principais fontes de energia luminosa foram velas de cera, candeeiros e lamparinas que queimavam diversos tipos de óleo animal (peixe, baleia e lobo marinho) e vegetal (mamona e coco). As velas de cera eram utilizadas para a iluminação das residências, estabelecimentos comerciais, igrejas e oratórios. Já o óleo de baleia era o combustível preferido para a iluminação das ruas das cidades, sendo, depois da lenha, da água e da tração animal, o combustível mais importante do período colonial.

Aquarela de Joaquim Guillobel retratando uma dama em cadeirinha. Acervo Fundação Biblioteca Nacional

A chegada de D. João VI e de sua corte ao Rio de Janeiro (RJ), em 1808, teve importantes consequências, como a abertura dos portos para o comércio com as nações amigas, especialmente a

Inglaterra. Por isso, durante muito tempo, a economia do Brasil continuou baseada na agricultura. A mineração, apesar das inovações tecnológicas introduzidas por companhias inglesas, entrou em decadência. Nesse período, a cafeicultura superou as plantações de açúcar e também de algodão.

Embalagem de café Bhering

Barril para exportação da Fábrica de Chocolates e Café Bhering. 1910. Marcas de Valor

A madeira das árvores era o principal recurso energético utilizado no Brasil quando D. Pedro I proclamou a independência, em 1822. Nessa época, alguns países da Europa já estavam utilizando o gás e o vapor obtido com a queima do carvão mineral para movimentar suas fábricas e iluminar suas cidades. Essas novas fontes de energia térmica, mecânica e luminosa despertaram a curiosidade de alguns empresários brasileiros. Quando Irineu Evangelista de Sousa, o barão de Mauá viu, em 1835, os barcos a vela e a remo, que faziam o transporte de passageiros pela orla marítima e entre a capital e a cidade de Niterói (RJ), serem substituídos por navios a vapor ingleses, logo iniciou a construção de embarcações a vapor brasileiras. Equipados com caldeiras, os navios do barão utilizavam o carvão mineral importado da Europa como combustível.

Barão de Mauá

O mesmo barão de Mauá, em 1852, iniciou no Rio de Janeiro a construção de uma fábrica de gás, que também utilizava como combustível o carvão mineral europeu. Dois anos depois, seria inaugurado o sistema de iluminação pública a gás da cidade. Na noite de inauguração, o gás, que era transportado por 20 quilômetros de encanamentos de ferro, iluminou algumas poucas ruas do centro. As instalações eram modernas e forneceram luz para a cidade por mais de meio século.

Fábrica de Gás

Fábrica de gás, também conhecida como Gasômetro, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). 1971. Acervo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.

Em 1855, o empresário Cristiano Ottoni organizou a Estrada de Ferro D. Pedro II (atual Estrada de Ferro Central do Brasil), com o objetivo de transpor a Serra do Mar e, depois de dividir-se em dois ramais, seguir para o estado de São Paulo e para Minas Gerais. Três anos depois, em março de 1858, ele inaugurou o primeiro trecho da ferrovia, onde transitavam trens de carga e de passageiros puxados por locomotivas a vapor.

Locomotiva a vapor

Primeira locomotiva a vapor da Estrada de Ferro D. Pedro II, atual Central do Brasil. Década de 1850. Acervo Museu do Trem

Inicialmente, a indústria têxtil brasileira utilizou motores hidráulicos e máquinas a vapor como fonte de energia, mas isso logo iria mudar com a introdução das máquinas movidas a energia elétrica.

Durante a última metade do século XIX, a rápida urbanização das cidades, a necessidade de melhoria nos serviços públicos e o aumento das atividades industriais impulsionaram as primeiras experiências no campo da energia elétrica, que aconteceram aqui no Brasil ao mesmo tempo em que ocorriam nos Estados Unidos e na Europa.

O Imperador D. Pedro II conhecera a energia elétrica na Filadélfia em 1876 e, encantado com a novidade, autorizou Thomas Alva Edison a trazer para o Brasil os aparelhos que ele havia inventado. Em 1879, ano da primeira demonstração pública da lâmpada elétrica de Edison no EUA, inaugurou-se na cidade do Rio de Janeiro (RJ) a iluminação elétrica da Estação Central da Estrada de Ferro D. Pedro II (atual Estrada de Ferro Central do Brasil), com suas lâmpadas de arco do tipo Jablochkoff.

Edison trabalhando na lâmpada

Desenho do laboratório onde Thomas Edison fez suas primeiras experiências com energia elétrica. S/d. Acervo Hulton Archive.

Em 1881, a diretoria dos Correios e Telégrafos instalou 16 lâmpadas do mesmo tipo no Campo da Aclamação, atual Praça da República, também no Rio de Janeiro. Em dezembro desse mesmo ano, o espaço da Exposição Industrial no prédio do Ministério da Viação, na atual Praça XV, foi iluminado por sessenta lâmpadas da Edison Electric Co.

Lâmpada de Edison

Primeira lâmpada de Thomas Edison. S/d. Acervo Ente Nazionale per L’energia Elettrica.

Em junho de 1883, D. Pedro II inaugurou o primeiro serviço de iluminação pública municipal da América do Sul que contava com energia elétrica, em Campos (RJ). Esse serviço dispôs originalmente de um pequeno motor a vapor, três dínamos e 39 lâmpadas, mas funcionou com algumas interrupções, motivadas por defeitos na rede distribuidora.

12-Primeiro poste Campos - Centro de Memória Fotográfica

Primeiro poste elétrico da cidade de Campos dos Goytacazes (RJ). S/d. Acervo Centro de Memória Fotográfica de Campos.

Em 1887 foi criada, no Rio de Janeiro, a Companhia de Força e Luz, que, devido a sérios problemas financeiros, foi extinta no ano seguinte. Enquanto funcionou, a companhia manteve cerca de cem lâmpadas elétricas para a iluminação de várias ruas do centro da cidade e de algumas poucas residências.

Empreendimento semelhante foi registrado na cidade de São Paulo (SP), em 1889, depois da instalação da usina termelétrica Água Branca. Destinada inicialmente ao serviço de abastecimento de água, a usina forneceu energia elétrica para iluminação pública e particular no bairro de Água Branca durante 11 anos.

A primeira utilização de energia hidrelétrica no Brasil deu-se em 1883, quando foi instalada no Ribeirão do Inferno, em Diamantina (MG), uma pequena usina para fornecimento de energia à uma mina de diamantes.

Poucos anos depois, o industrial mineiro Bernardo Mascarenhas decidiu implantar o uso de energia hidrelétrica em sua fábrica de tecidos, dispensando o uso do carvão importado. Para isso, construiu, às margens do Rio Paraibuna, em Juiz de Fora (MG), a Usina Hidrelétrica Marmelos, que entrou em operação em 1889. Logo depois da inauguração, já com a fábrica de tecidos funcionando, Mascarenhas passou a fornecer a eletricidade que sobrava para a cidade, iniciando oficialmente o primeiro serviço público de iluminação em Minas Gerais.

Casa de força da Usina Hidrelétrica Marmelos Zero, no município de Juiz de Fora (MG). S/d. Acervo Companhia Energética de Minas Gerais

O aproveitamento do enorme potencial dos nossos rios ganhou impulso quando, em abril de 1899, o engenheiro norte-americano Frederick Pearson se associou a um grupo de capitalistas canadenses e constituiu em Toronto, no Canadá, a São Paulo Railway, Light and Power Company Limited para, além de produzir e vender eletricidade, estabelecer o serviço de bondes e linhas telegráficas e telefônicas da capital paulista.

Para tanto, a São Paulo Light iniciou rapidamente a construção da Usina Hidrelétrica Parnaíba, localizada na cachoeira do Inferno, no rio Tietê. Inaugurada em setembro de 1901, Parnaíba foi a primeira hidrelétrica da empresa canadense no Brasil.

14-UHE Parnaíba - FPHESP

Casa de força da Usina Hidrelétrica Marmelos Zero, no município de Juiz de Fora (MG). S/d. Acervo Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

Em 1904, a Light resolveu estender seus serviços para o Rio de Janeiro, então capital da República. Assim, o mesmo grupo liderado por Pearson constituiu a Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company, iniciando as obras da Usina Hidrelétrica de Fontes, no Ribeirão das Lages, município de Piraí (RJ). Fontes, depois de algumas ampliações, passou a ser a maior do Brasil e uma das maiores do mundo.

Casa de força da Usina Hidrelétrica de Fontes, no município de Piraí (RJ). S/d. Acervo Light Serviços de Eletricidade S.A.

Os bondes de tração animal circulavam pelas grandes cidades do Brasil desde meados do século XIX. Os veículos eram puxados por burros, mas as rodas corriam sobre trilhos de ferro, o que tornava a viagem mais confortável, pois evitava as trepidações que o péssimo calçamento das ruas provocava.

Bonde de passageiros

Croqui de bonde aberto para passageiros, com tração animal, da Companhia Ferro Carril Copacabana. 1883. Acervo Arquivo Nacional.

Todavia, manter a qualidade dos serviços de bondes era difícil, pois a alimentação dos animais, a base de alfafa importada, era muito cara. Assim, no final do século, as companhias de carris estavam à procura de uma outra forma de tração, quando a eletricidade surgiu como solução para todos os problemas.

No Rio de Janeiro (RJ), a primeira linha de bondes elétricos foi inaugurada em 8 de outubro de 1892. O bonde, da Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico, circulou do largo da Carioca, no Centro, até a rua Dois de Dezembro, no Flamengo (zona sul da cidade), levando, entre outros convidados, o Marechal Floriano Peixoto, presidente da República.

 

17-Primeiro bonde elétrico do Rio de Janeiro - AGCRJ

Autoridades diante do primeiro bonde elétrico da cidade do Rio de Janeiro (RJ). 1892. Acervo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.

Em 1897, a Companhia Veículos Econômicos inaugurou a primeira linha de bondes de Salvador (BA), que circulava apenas pela cidade baixa. Logo depois, outra empresa, denominada Companhia Linha Circular de Carris da Bahia, passou a fornecer o transporte também na cidade alta.

Em 1899, foi a vez de Manaus. A capital do estado do Amazonas foi a terceira capital brasileira a contar com os bondes elétricos para o transporte da população.

Já a primeira linha de bondes elétricos de São Paulo (SP), que foi inaugurada pela Light em maio de 1900, ligando o bairro da Barra Funda ao centro da cidade, não foi muito bem recebida pela população paulista, que queria vagões exclusivos e passagens mais baratas para os trabalhadores. Apesar disso, outras cinco linhas foram inauguradas pela empresa na capital paulista até fevereiro do ano seguinte.

 

Colocação de trilhos em São Paulo

Colocação de trilhos na cidade de São Paulo (SP). 1902. Acervo Fundação Energia e Saneamento do Estado de São Paulo

Em 1887, Porto Alegre (RS) se tornou a primeira capital brasileira a contar com um sistema de iluminação pública elétrica. Nos anos seguintes, outras cidades do país também passaram a iluminar suas ruas com eletricidade, como Rio Claro, Piracicaba, São Carlos do Pinhal e Ribeirão Preto, no estado de São Paulo; Juiz de Fora, São João Del Rei e Belo Horizonte, em Minas Gerais; Manaus, no Amazonas; e Belém, no Pará.

No Rio de Janeiro, a energia elétrica para iluminação foi expandida a partir do processo de reforma da cidade realizado pelo prefeito Pereira Passos, no início do século XX. A introdução do novo sistema ocorreu durante a abertura da avenida Central (atual avenida Rio Branco), e foi inaugurado em 1905. A avenida contou com iluminação elétrica apenas no canteiro central. Nas calçadas laterais a prefeitura preferiu manter os postes a gás.

19-Avenida Rio Branco 1921 - Light

Poste com luminárias elétricas na avenida Rio Branco, cidade do Rio de Janeiro (RJ). 1921. Acervo Light Serviços de Eletricidade S.A.

Além da iluminação e do transporte, outros serviços públicos e particulares se beneficiaram da utilização da eletricidade. O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro (RJ), por exemplo, em 1879 já contava com um sistema de “caixas avisadoras elétricas” de incêndio, que emitiam um alarme sonoro em caso de fogo. Eram 12 aparelhos instalados na sede da corporação no centro da cidade.

A primeira linha telegráfica elétrica do Brasil, que utilizava cabos subterrâneos, foi inaugurada no Rio de Janeiro em 1852. O aparelho de telégrafo elétrico havia sido criado pelo inventor americano Samuel Morse cerca de 15 anos antes, em 1838. As máquinas do telégrafo possuíam interruptores de corrente que permitiam que os operadores percebessem os pontos e traços que representavam as letras do alfabeto, por meio de pancadas em intervalos regulares. Em 1889, todo o litoral brasileiro já contava com linhas telegráficas.

Os serviços de abastecimento de água e de saneamento também se transformaram com a utilização da eletricidade. As estações, que antes eram movidas a vapor, receberam uma série de equipamentos elétricos, como fortes bombas que facilitavam o envio da água para novas áreas das cidades.

O telefone, inventado por Graham Bell em 1876 com base nas pilhas elétricas de Alessandro Volta, foi trazido para o Brasil por iniciativa do imperador D. Pedro II. Os primeiros telefones brasileiros

começaram a funcionar em 1879 no Rio de Janeiro, em 1884, em São Paulo (SP) e, em 1886, em Porto Alegre (RS).

21-Telefonistas da CEEB 1929 - Coelba

Operadoras de telefonia da Companhia Energia Elétrica da Bahia – CEEB, na cidade de Salvador (BA). S/d. Acervo Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia

Os serviços médicos também se modernizaram com o uso da eletricidade. Em 1895, com a descoberta do raio X pelo físico alemão Wilhem Conrad Röntgen, foi possível, pela primeira vez, a visualização do interior do corpo humano sem precisar abri-lo. No Brasil, em 1904, diversas clínicas e hospitais já utilizavam aparelhos deste tipo. Depois do raio X, vários outros aparelhos elétricos, como os de fototerapia, eletroterapia e eletrocardiografia, contribuíram para a descoberta de doenças e para o seu tratamento.

Até 1889, quando o inventor iugoslavo Nikola Tesla inventou um pequeno motor elétrico, quase todos os aparelhos criados para facilitar o trabalho doméstico possuíam manivelas e pedais que exigiam muita paciência e força de quem os utilizava.

Os motores de Tesla revolucionaram nossa maneira de vestir e de comer, além de serem responsáveis pela economia de tempo e de esforço nas tarefas do lar. A maioria dos eletrodomésticos com motores elétricos, como a batedeira elétrica, o aspirador de pó e o ventilador, surgiu nos Estados Unidos entre 1890 e 1910, mas só chegou ao Brasil tempos depois. A geladeira, por exemplo, começou a ser fabricada por aqui apenas no final da década de 1940.

A eletrificação das casas provocou grandes mudanças não só na alimentação e nos hábitos de higiene e limpeza, mas também na maneira de nos comunicarmos e de nos divertirmos. O rádio, por exemplo, foi inventado pelo italiano Guglielmo Marconi em 1894, e se tornou sinônimo de luxo e conforto, pois quem possuía um podia ouvir as notícias e novidades na sala de estar.

A primeira transmissão de rádio no Brasil aconteceu em 1922, quando aparelhos instalados no morro do Corcovado, no Rio de Janeiro (RJ), transmitiram as palavras do presidente da República Epitácio Pessoa e a ópera O Guarani, de Carlos Gomes, diretamente do Teatro Municipal.

Estação rádio-telefônica instalada no Morro do Corcovado, cidade do Rio de Janeiro (RJ). 1922. Acervo Light Serviços de Eletricidade S.A.

O gramofone surgiu na mesma época, permitindo a reprodução e gravação e o grande desenvolvimento da indústria fonográfica. O fonógrafo havia sido inventado por Thomas Alva Edison em 1877, e o alemão Emil Berliner levou dez anos para melhorar a reprodução do som do aparelho, que era feita por cilindros de cera que se desgastavam muito rápido. Foram as melhorias de Berliner que transformaram o fonógrafo em gramofone, em 1887.

Foi também em 1887 que Etienne Marey inventou a primeira câmara filmadora. A partir de então, cientistas de todo o mundo passaram a experimentar maneiras diferentes de gravar e transmitir imagens em movimento até que, em 1895, os irmãos franceses Auguste e Louis Lumière construíram uma máquina que conseguia gravar em sequência uma série de imagens e depois projetá-las da mesma maneira. O chamado cinematógrafo foi aperfeiçoado com o decorrer dos anos, ganhando som e cor.

No Rio de Janeiro, os cariocas assistiram à inauguração do primeiro cinematógrafo brasileiro em 1897. O Lumière recebeu o nome em homenagem aos seus inventores. Alguns anos depois, em 1907, foi inaugurado na cidade o Grande Cinematógrafo Parisiense, primeiro estabelecimento projetado para funcionar como sala de cinema, quando já havia fornecimento regular de energia elétrica. São Paulo (SP) construiu sua primeira sala de exibição, o Bijou Salão, no mesmo ano.

Em 1924, o escocês John Logie Baird apresentou em Londres, na Inglaterra, o primeiro sistema de transmissão de imagens eficiente. A televisão de Baird era feita com uma caixa, uma tina, agulhas de tricô e uma lâmpada e foi consequência de uma revolução tecnológica que teve início quando o russo Wladimir Zworykin inventou o tubo de raios catódicos, em 1920.

No Brasil, a primeira emissora de televisão foi inaugurada na década de 1950. A TV Tupi Difusora de São Paulo, fundada por Assis Chateaubriand, foi também a primeira da América Latina.

Cotidiano 2 - Capítulo 3 - Foto

J. Silvestre em transmissão ao vivo do programa O céu é o limite da TV Tupi. 1959. Acervo Fundação Biblioteca Nacional