1964-1990 – Consolidação e crise do modelo estatal

Congresso Nacional autoriza, em outubro, das dez subsidiárias do grupo norte-americano American & Foreign Power Company (Amforp) pela Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras). As negociações para a das empresas da Amforp foram iniciadas em 1963 pela Comissão de Nacionalização das Empresas Concessionárias de Serviços Públicos (Conesp) e concluídas no ano seguinte por uma comissão interministerial coordenada pela Eletrobras, que contou com a participação dos ministérios da Fazenda, do Planejamento e das Relações Exteriores. O acordo de compra foi firmado em Washington em 12 de novembro de 1964. As empresas adquiridas passaram a integrar o quadro de subsidiárias da Eletrobras, sendo posteriormente incorporadas, em sua maioria, por concessionárias públicas estaduais.
Governo federal oficializa, em novembro, a reforma das tarifas de energia elétrica, por meio dos Decretos nº 54.936 e 54.937. A nova legislação regulamentou a aplicação da correção monetária sobre o ativo imobilizado das concessionárias, o que resultou em notável aumento do valor real das tarifas e na consequente recuperação da capacidade de autofinanciamento do setor elétrico.
Decreto nº 55.209, promulgado em dezembro, autoriza a criação da Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba (Saelpa), criada a partir da fusão das empresas Companhia Distribuidora de Eletricidade do Brejo Paraibano (Codebro) e Sociedade de Economia Mista Eletrocariri S.A. (Eletrocariri). Posteriormente, a empresa incorporou o Departamento de Serviços Elétricos da Capital (DSEC) e o Conselho Estadual de Águas e Energia Elétrica (CAEE), tornando-se distribuidora energia elétrica em todo o estado da Paraíba, com exceção do município de Campina Grande e adjacências. Privatizada em dezembro de 2000, passou para a gestão do grupo Energisa, recebendo a denominação de Energisa Paraíba. Em 2000, foi adquirida em leilão público pelo Sistema Cataguazes-Leopoldina.
Criação do Departamento Nacional de Águas e Energia (Dnae), posteriormente Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (Dnaee), órgão responsável pela regulamentação dos serviços de energia elétrica em substituição à Divisão de Águas do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM). Compôs, juntamente com o Ministério das Minas e Energia (MME) e a Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras), a estrutura de planejamento do setor de energia elétrica instituída a partir da década de 1960. Com a extinção do Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica (Cnaee) em 1969, tornou-se responsável pela outorga de concessões de aproveitamentos hidrelétricos e de prestação de serviços, atuando exclusivamente como órgão normativo e fiscalizador.
Criação, pela Lei Estadual nº 60, de 17 de dezembro, da Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre), autorizada a funcionar como empresa concessionária de serviços públicos de energia elétrica no estado do Acre pelo Decreto Federal nº 63.121, de 20 de agosto de 1968. Em julho de 2016, a Eletrobras decidiu não renovar as concessões da Eletroacre e demais distribuidoras federalizadas dos estados do Amazonas, Rondônia, Roraima, Alagoas e Piauí.
Adoção da unificação de frequência no Brasil pela Lei nº 4.454, de novembro de 1964, no padrão de 60 Hz sugerido pela Comissão para Unificação de Frequência (CUF), instituída em 1961. Sob a coordenação da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras), o processo teve início no Rio de Janeiro, estendeu-se ao Espírito Santo e parte de Minas Gerais e foi concluído no Rio Grande do Sul, no início da década de 1970. A medida a interligação dos diversos sistemas de transmissão em funcionamento no país.
Autorização para funcionamento, pelo Decreto nº 59.851, de 23 de dezembro, da Centrais Elétricas de São Paulo S.A. (Cesp), constituída a partir da fusão de onze empresas estaduais organizadas na década de 1950 e no início dos anos 1960, como a Usinas Elétricas do Paranapanema S.A. (Uselpa), a Companhia Hidrelétrica do Rio Pardo (Cherp), a Centrais Elétricas do Urubupungá S.A. (Celusa), a Bandeirantes de Eletricidade S.A. (Belsa) e a Companhia Melhoramentos do Paraibuna (Comepa). Empresa de economia mista controlada pelo governo de São Paulo, a Cesp, dedicou-se a atividades de planejamento, produção, e distribuição de energia elétrica. Em 1975, por acordo com a Centrais Elétricas Brasileiras S.A (Eletrobras), assumiu o controle acionário da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), que manteve personalidade jurídica própria. Em 1977, mudou a denominação para Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Em 1998, o governo paulista promoveu a privatização da Elektro – Eletricidade e Serviços (Elektro), empresa criada a partir da cisão dos ativos de distribuição da Cesp. Em 1999, a Cesp sofreu mais uma cisão que deu origem às subsidiárias Companhia de Geração de Energia Elétrica Paranapanema (CGEEP) e Companhia de Geração de Energia Elétrica Tietê (CGEET), privatizadas no mesmo ano, e a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP), privatizada em 2006. A Cesp manteve o controle apenas das usinas Ilha Solteira, Jupiá, Três Irmãos, Paraibuna, Jaguari e Porto Primavera, inaugurada em 1999.
Criação do Comitê Coordenador de Estudos Energéticos da Região Sul (Enersul), responsável pela supervisão dos estudos de mercado O Comitê contou com a ajuda financeira da Organização das Nações Unidas (ONU) e com a participação do mesmo grupo de consultores canadenses e americanos que colaborou com o Comitê Coordenador dos Estudos Energéticos da Região Centro-Sul. Finalizados em 1969, os estudos foram baseados em previsões do mercado de energia elétrica até 1980. Consideraram não apenas o potencial hidrelétrico aproveitável nos estados de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, como também as reservas carboníferas da região e os problemas decorrentes da conversão de frequência.
Criação, pela Lei Municipal nº 61/66, de 8 de setembro, da Companhia de Eletricidade da Borborema (Celb), empresa de economia mista, controlada pela prefeitura de Campina Grande (PB), que sucedeu ao Departamento Autônomo de Serviços Elétricos (Dasel). A partir de 1970, sua área de concessão passou a incluir os municípios de Lagoa Seca, Queimadas, Massaranduba, Boa Vista e Fagundes. Em 1997, sua razão social foi alterada para Companhia Energética da Borborema (Celb). Dois anos depois, foi adquirida em leilão público pela Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina.
Criação da Associação de Empresas Distribuidoras de Eletricidade do Nordeste (Aedene), tendo como principais objetivos congregar, orientar, defender e fomentar a mútua colaboração e a assistência entre seus associados e colaborar com os poderes públicos no estudo e solução dos problemas econômicos dos estados do Nordeste, com relação direta ou indireta com a energia elétrica. Posteriormente, as empresas distribuidoras na região Norte passaram a integrar a associação que mudou sua denominação para Associação de Empresas Distribuidoras de Eletricidade do Norte e Nordeste (Aedenne).
Inclusão, pelo Decreto-Lei nº 200, em fevereiro, dos assuntos de natureza nuclear na área de competência do Ministério das Minas e Energia (MME) e transferência da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para a jurisdição do MME.
Criada em 1956 como órgão subordinado à Presidência da República, e transformada em autarquia federal em 1962, a CNEN foi encarregada de estabelecer a política nacional de energia nuclear. Em 1968, a comissão assinou convênio com as Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras), por meio do qual foi delegada a Furnas Centrais Elétricas, subsidiária da Eletrobras, a construção da primeira usina nuclear brasileira em Angra dos Reis (RJ). Em 1986, foi novamente vinculada à Presidência da República. Vinculada, passando para a esfera do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) em 1999, como órgão responsável por regular as atividades nucleares no país.
Alteração da denominação da empresa Rio Light S.A. – Serviços de Eletricidade e Carris para Light Serviços de Eletricidade S.A., como resultado da unificação das empresas de energia elétrica do grupo Light. Em 1979, a Light foi adquirida, pela Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras), em transação efetuada com o grupo Brascan Ltda., sucessor da holding Brazilian Light and Power Company. Em 1981, com a incorporação do subsistema Light no estado de São Paulo pela recém-criada Eletropaulo – Eletricidade de São Paulo S.A., a empresa teve a sua atuação restringida ao estado do Rio de Janeiro. A Light foi incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND) em 1992 e privatizada maio de 1996, passando ao controle de um grupo formado pela Electricité de France (EDF), pelas companhias norte-americanas AES Corporation e Houston Industries Energy e pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Em 2002, a EDF assumiu a condição de controladora da Light. Três anos depois, foi criada a holding Light S.A., controladora da Light Energia S.A., atuante na geração e transmissão, a Light Serviços de Eletricidade S.A., responsável pelos serviços de distribuição, e Light Esco Ltda., da área de comercialização. Em 2006, a Light foi adquirida pelo consórcio Rio Minas Energia Participações S.A. (RME), composto pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Andrade Gutierrez Concessões (AG Concessões), Pactual Energia Participações (Pactual Energia) e Luce Brasil Fundo de Investimento em Participações (Luce).

Início das obras de construção da Pequena Central Hidrelétrica Rio Vermelho, no rio Vermelho, município de Vilhena (RO). S/d. Acervo Ceron.

Criação, pela Lei nº 5.523, de 4 de novembro, da Centrais Elétricas de Rondônia S.A. (Ceron), instalada no ano seguinte como empresa de economia mista, sob controle acionário do governo do então território de Rondônia, com o objetivo de gerar, transmitir e distribuir energia elétrica para a capital Porto Velho e o município de Guajará-Mirim. Sucessora do Serviço de Abastecimento de Água, Luz e Força do Território de Rondônia (SAALFT), a Ceron incorporou até o início da década de 1980 os serviços de eletricidade dos demais municípios de Rondônia. Em 1982, com a transformação do Território Federal de Rondônia em Estado de Rondônia, passou ao controle acionário do governo estadual. A partir de 1990, com a entrada em operação da segunda unidade geradora da Usina Hidrelétrica Samuel, da Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. (Eletronorte), a Ceron investiu na expansão de seu sistema de transmissão. Em 1997, passou a integrar o grupo de empresas distribuidoras federalizadas sob controle das Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras). Em julho de 2016, a Eletrobras decidiu não renovar as concessões da Ceron e demais distribuidoras federalizadas dos estados do Acre, Amazonas, Roraima, Alagoas e Piauí. Além disso, foi aprovada a venda do controle acionário destas empresas.

Pequena Central Hidrelétrica Rio Vermelho, no rio Vermelho, município de Vilhena (RO). S/d. Acervo Ceron

Criação, pela nº 5.523, de 4 de novembro, da Centrais Elétricas de Roraima S.A. (CER), constituída em abril do ano seguinte, com a finalidade de atuar nas áreas de geração, transmissão e distribuição no então território de Roraima. Em 1989, com a elevação de Roraima à condição de estado, os serviços de energia elétrica na capital Boa Vista foram encampados pela Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. (Eletronorte). No ano seguinte, a empresa mudou sua denominação para Companhia Energética de Roraima (CERR). Em 2013, a companhia passou a ser administrada por meio de gestão compartilhada entre as Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras) e o governo do estado.

Vista parcial das obras de construção da Usina Hidrelétrica Salto Osório, no rio Iguaçu, entre os municípios de Quedas do Iguaçu e São Jorge D’Oeste (PR). Janeiro de 1974. Acervo Eletrosul

Constituição, em 23 de dezembro, da Centrais Elétricas do Sul do Brasil S.A. (Eletrosul), autorizada a funcionar pela Decreto nº 64.395, de 23 de abril de 1969, como subsidiária da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras), atuando, inicialmente, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Incorporou a Termelétrica de Charqueadas S.A. (Termochar) em 1971, e a Termelétrica de Alegrete S.A. (Termoale) e a Sociedade Termelétrica de Capivari S.A. (Sotelca) em 1972. Entre outros empreendimentos, levou a cabo a construção das usinas hidrelétricas Salto Osório, e Salto Santiago, inauguradas em 1975 e 1980, respectivamente, bem como a ampliação do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em 1973 e 1974. Em 1980, a área de atuação da empresa passou a abarcar também o estado do Mato Grosso do Sul. Em 1995, a Eletrosul foi incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND) e, dois anos depois, sua cisão deu origem a Centrais Geradoras do Sul do Brasil S.A. (Gerasul), adquirida em 1998, em leilão de privatização, pela Tractebel. A atuação da Eletrosul foi limitada ao segmento de transmissão e razão social alterada para Empresa Transmissora de Energia Elétrica do Sul do Brasil S.A. (Eletrosul). Em 2004, a empresa foi retirada do PND e autorizada a retomar as atividades de geração pela Lei nº 10.848, de 15 de março, assumindo a nova denominação Eletrosul Centrais Elétricas S.A. (Eletrosul).

Explanação sobre as obras de construção da Usina Hidrelétrica Salto Santiago. Presentes o presidente da República, Ernesto Geisel; o ministro das Minas e Energia, Shigeaki Ueki; o ministro da Educação e Cultura, Ney Braga; e o presidente da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – Eletrobras, Antônio Carlos Magalhães. 1978. Tempo: 1’47”. Coleção Agência Nacional – Acervo Arquivo Nacional

Criação da Companhia de Eletricidade de Brasília (CEB) pela Lei nº 4.545, de 10 de dezembro. Autorizada a funcionar pelo Decreto nº 64.880, de 28 de julho de 1969, a CEB substituiu o Departamento de Força e Luz da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), responsável pelo atendimento de parcela da demanda do Distrito Federal. Em 1992, adotou a à denominação de Companhia Energética de Brasília (CEB). Nos anos seguintes, passou a atuar também no segmento de geração e na distribuição de gás canalizado. Em 2006, como resultado de reestruturação societária, as concessões da empresa foram distribuídas entre a CEB Distribuição S.A., a CEB Geração S.A. e a CEB Participações S.A. (CEB-Par).

O presidente da República, Artur da Costa e Silva, na cerimônia de inauguração da Usina Termelétrica Santa Cruz, instalada em área então pertencente ao estado da Guanabara do Rio de Janeiro. 11 de maio de 1968. Acervo Furnas.

Entrada em operação da Usina Termelétrica Santa Cruz, localizada no bairro de mesmo nome, no Rio de Janeiro (RJ). A construção da usina foi iniciada em 1961 pela Companhia Hidrelétrica do Vale do Paraíba (Chevap) e concluída por Furnas Centrais Elétricas S.A. Com duas unidades geradoras de 82.000 kW de potência unitária, era a maior termelétrica do país na época de sua inauguração.

Usina Termelétrica de Santa Cruz, no município do estado do Rio de Janeiro (RJ). S/d. Acervo Furnas

Criação, pelo Decreto nº 63.952, de 31 de dezembro, do Comitê Coordenador de Estudos Energéticos da Amazônia (Eneram). Subordinado ao Ministério das Minas e Energia (MME) e sob a gestão executiva da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras), o Comitê tinha a finalidade de supervisionar os estudos hidroenergéticos na região Amazônica. O relatório final do Eneram, apresentado em 1972, revelou a existência de um imenso potencial hidráulico na região, principalmente, nos rios Tocantins e Xingu.
Criação, pelo Decreto nº 65.237, de 26 de setembro, do Comitê Coordenador de Estudos Energéticos da Região Nordeste (Enenorde). Os estudos do Enenorde, concluídos em abril de 1973, apontaram um potencial hidrelétrico da ordem de 8.100 MW, apresentando uma programação de obras de geração e transmissão para atendimento da demanda de energia do Nordeste até 1985.
Obras de construção da Usina Hidrelétrica Funil, no rio Paraíba do Sul, em Itatiaia (RJ). Agosto de 1967. Acervo Eletrobras.

Entrada em operação da Usina Hidrelétrica Funil, localizada no rio Paraíba do Sul, no município de Itatiaia (RJ). A construção da usina foi iniciada em 1961 pela Companhia Hidrelétrica do Vale do Paraíba (Chevap), empresa especialmente organizada para este fim. Em 1967, as obras foram transferidas para a Central Elétrica de Furnas (Furnas). Em 1970, Funil completou a instalação de suas três unidades geradoras, somando 216.000 kW de potência nominal. É a única usina do país com barragem de porte em arco de dupla curvatura.Vista da barragem, da casa de força e do canal de fuga da Usina Hidrelétrica Funil, no rio Paraíba do Sul, em Itatiaia (RJ). S/d. Acervo Furnas
Criação, pelo Ministério das Minas e Energia (MME), do Comitê Coordenador de Operação Interligada (CCOI) da Região Sudeste, com o objetivo de promover a operação coordenada dos sistemas elétricos das empresas da região. Coube as Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras) a orientação técnica do comitê, composto pelas principais concessionárias do Sudeste. Em 1971, um comitê análogo foi constituído para a coordenação da operação do sistema interligado da região Sul.

Usina hidrelétrica Governador Pedro Viriato Parigot de Souza, também conhecida como Capivari-Cachoeira, no estado do Paraná. S/d. Acervo Copel

Entrada em operação da Usina Hidrelétrica Governador Pedro Viriato Parigot de Souza (Capivari-Cachoeira), localizada no rio Capivari, no município de Antonina (PR). A construção da usina foi iniciada pela Central Elétrica Capivari-Cachoeira S.A. (Eletrocap) e concluída pela Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel). Até o final de 1971, foram instaladas quatro unidades geradoras de 61.740 kW de potência unitária em sua central subterrânea, formada por três cavernas escavadas em rocha, a maior do gênero na região Sul do Brasil.

Criação, pela Lei Estadual nº 9.477, de 5 de julho, da Companhia de Eletricidade do Ceará (Coelce), autorizada a funcionar pelo Decreto nº 69.469, de 5 de novembro do mesmo ano. A Coelce incorporou a Companhia de Eletrificação Centro Norte do Ceará S.A. (Cenorte) e a Companhia de Eletricidade do Cariri (Celca) em 1972 e, no ano seguinte, a Companhia Nordeste de Eletrificação de Fortaleza (Conefor) Em 1987, adotou a denominação de Companhia Energética do Ceará (Coelce). Em leilão de privatização ocorrido em abril de 1998, foi adquirida pelo Consórcio Distriluz, formado pela empresa chilena Enersis, pela espanhola Empresa Nacional de Electricidad S.A. (Endesa) e pela Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro (Cerj).

Instituição, pela Lei Complementar nº 13, de 11 de outubro, do Empréstimo Compulsório, em favor da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás), que o destinou à construção de centrais hidrelétricas e termonucleares, de sistemas de transmissão em extra-alta-tensão e ao atendimento energético dos principais pólos de desenvolvimento da Amazônia.

Constituição, em 20 de junho, da Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. (Eletronorte), autorizada a funcionar pelo Decreto nº 72.548, de 30 de julho do mesmo ano com base na Lei nº 5.824, de 14 de novembro de 1972. Organizada como subsidiária da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras), a empresa atuou, inicialmente, nos estados do Amazonas, Pará, Acre, Mato Grosso (ao norte do paralelo 18º sul) e Goiás (ao norte do paralelo 15º sul) e nos territórios do Amapá, Roraima e Rondônia. Em 1980, incorporou a Companhia de Eletricidade de Manaus (CEM), absorvendo, no ano seguinte, os parques termelétricos das capitais Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC). A Eletronorte deu início à geração em grande escala na região Norte, levando a cabo a construção das usinas hidrelétricas de Coaracy Nunes, em 1975, Tucuruí, inaugurada em 1984, Balbina e Samuel, ambas inauguradas em 1989. Foi incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND) em 1995 e cindida em 1998, com criaçãodas subsidiárias Manaus Energia S.A. e Boa Vista Energia S.A., atuantes, respectivamente nas capitais Manaus (AM) e Boa Vista (RR). Em 2004, a Eletronorte foi retirada do PND.

Usina Hidrelétrica Jupiá, no rio Paraná, entre os municípios de Alfredo Castilho (SP) e Três Lagoas (MS). S/d.Acervo FPHESP/Foto de Paulo Roberto de Souza

Entrada em operação da Usina Hidrelétrica Ilha Solteira, da Centrais Elétricas de São Paulo S.A. (Cesp), localizada no rio Paraná, em área dos municípios de Ilha Solteira (SP) e Selvíria (MS). Integra, com a Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias ou Jupiá, o Complexo Hidrelétrico Engenheiro Francisco Lima de Souza Dias ou Urubupungá. As obras foram iniciadas em 1965 pela Centrais Elétricas do Urubupungá S.A. (Celusa), passando em seguida ao encargo da Cesp. Ilha Solteira representou um importante marco na história da engenharia nacional, devido aos problemas operacionais e técnicos determinados pelas grandes dimensões do empreendimento. Possui 20 unidades geradoras, com 3.444 MW de potência instalada, constituindo-se na maior hidrelétrica do estado de São Paulo e a sexta do país. Em novembro de 2015, a empresa estatal China Three Gorges Corporation (CTG) responsável pela UHE Três Gargantas, venceu leilão de relicitação das usinas de Ilha Soleir e Juoipa arrematou *

Usina Hidrelétrica Ilha Solteira, no rio Paraná, entre os municípios de Ilha Solteira (SP e Selvíria (MS)), s/d. Acervo FPHESP/Foto de Paulo Roberto de Souza. Cerimônia de entrada em operação da UHE Ilha Solteira. 1973. Tempo: 1’17”. Coleção Agência Nacional – Acervo Arquivo Nacional O presidente da República Emílio Garrastazu Médici na cerimônia que marcou a entrada em operação da Usina Hidrelétrica Ilha Solteira. Presentes o governador de São Paulo, Laudo Natel; e o presidente da Centrais Elétricas de São Paulo S.A. – Cesp, Lucas Nogueira Garcez. S/d. O presidente da República Emílio Garrastazu Médici na cerimônia que marcou a entrada em operação da Usina Hidrelétrica Ilha Solteira. Presentes o governador de São Paulo, Laudo Natel; e o presidente da Centrais Elétricas de São Paulo S.A. – Cesp, Lucas Nogueira Garcez. S/d.

Criação dos Grupos Coordenadores para Operação Interligada (GCOI) das regiões Sudeste e Sul, em substituição aos Comitês Coordenadores da Operação Interligada (CCOI), com base na Lei nº 5.899, de 5 de julho de 1973. A Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras) foi encarregada de dirigir os GCOI, com poder resolutivo para promover o uso racional das instalações geradoras e de transmissão nas regiões Sudeste e Sul, garantindo a continuidade do suprimento de energia elétrica aos sistemas distribuidores e a promoção da economia de combustíveis utilizados nas centrais termelétricas A mesma lei estabeleceu um mercado cativo para a energia produzida por Itaipu, mediante um sistema de cotas para as principais concessionárias distribuidoras das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Em maio de 1998, a Lei nº 9.848 determinou a extinção dos GCOI e a criação em seu lugar do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Assinatura da 1974. Tempo: 1’25”. Coleção Agência Nacional – Acervo Arquivo Nacional

Reportagem sobre o encontro dos presidentes do Brasil, Ernesto Geisel, e do Paraguai, Alfredo Stroessner, na Ponte da Amizade, situada na fronteira entre os dois países, e a cerimônia de assinatura da ata de constituição da empresa binacional encarregada da construção da Usina Hidrelétrica Itaipu. Presentes o Chefe do Gabinete Militar da Presidência da República, Hugo Abreu; o Ministro do Planejamento, Reis Veloso; o Ministro das Minas e Energia, Shigeaki Ueki; José Costa Cavalcanti, primeiro diretor geral brasileiro da Itaipu Binacional, e Mario Penna Bhering, presidente da Eletrobras.

Instalação, em 17 de maio, da empresa Itaipu Binacional, constituída com o capital de cem milhões de dólares, divididos igualmente entre a Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras) e a estatal paraguaia Administración Nacional de Electricidad (Ande), tendo em vista a execução das obras e a exploração da energia elétrica produzida A criação da empresa resultou de do amplo processo de negociação entre Brasil e Paraguai sobre o aproveitamento do potencial hidrelétrico do rio Paraná no trecho de 190 km que servia de fronteira entre os dois países desde o Salto Grande de Sete Quedas até a confluência com o rio Iguaçu. Em 22 de junho de 1966, o chanceler brasileiro Juracy Magalhães e seu colega paraguaio Raul Sapeña Pastor assinaram a Ata de Iguaçu que estabeleceu o regime de condomínio sobre os recursos hídricos no trecho fronteiriço do rio Paraná. e a foz do rio Iguaçu. Na sequência, foi criada a Comissão Mista Técnica Brasil-Paraguai para cuidar do estudo sobre o aproveitamento do rio Paraná. Em 1970, o Consórcio Ieco-ELC venceu a concorrência para os estudos de viabilidade e a elaboração do projeto da usina. Em 26 de abril de 1973, Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu, para a construção e operação da usina, prevendo a criação da Itaipu Binacional. Quatro anos após o início da construção da usina, foi assinado, em 19 de outubro de 1979, o Acordo Tripartite entre Brasil, Paraguai e Argentina, para o aproveitamento dos recursos hidráulicos no trecho do Rio Paraná, desde as Sete Quedas até a foz do rio da Prata. Em 2000, Brasil e Paraguai celebraram contrato para instalação de duas novas unidades geradoras na Usina Hidrelétrica Itaipu.

Criação, pela Lei nº 6.189, de 16 de dezembro, da Empresas Nucleares Brasileiras S.A. (Nuclebrás), sucessora da Companhia Brasileira de Tecnologia Nuclear (CBTN). Sociedade de economia mista, subordinada ao Ministério das Minas e Energia (MME), assumiu a execução de amplo programa de atividades na área nuclear em cooperação com o governo da República Federal da Alemanha, compreendendo a pesquisa de minerais físseis, o desenvolvimento do ciclo do combustível, a construção de usinas nucleares e montagem de um parque industrial destinado à fabricação de equipamentos para tais usinas. Em 1975, foi celebrado entre o Brasil e a Alemanha o Acordo sobre Cooperação nos Usos Pacíficos da Energia Nuclear, prevendo a instalação de oito centrais nucleares, usina de enriquecimento de urânio e instalações para reprocessamento de combustível atômico. O protocolo industrial firmado deu origem às empresas Nuclebrás Engenharia S.A. (Nuclen), Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. (Nuclep), Nuclebrás Enriquecimento Isotópico S.A. (Nuclei) e Nuclebrás Auxiliar de Mineração S.A. (Nuclem). Em 1981, a responsabilidade pela construção da Usina Termonuclear Angra 2 foi transferida de Furnas – Centrais Elétricas S.A. (Furnas) para a Nuclebrás, retornando para Furnas em 1988. Neste ano, pelo Decreto-Lei nº 2.454, de 31 de agosto, a Nuclebrás foi reorganizada, sob a denominação Indústrias Nucleares Brasileiras S.A. (INB), vinculada ao Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN). O mesmo instrumento autorizou, mediante a capitalização das ações de propriedade da INB, a transferência da Nuclen para a Eletrobras.
Apresentação do Plano de Atendimento aos Requisitos de Energia Elétrica das Regiões Sudeste e Sul até 1990, conhecido como Plano 90, elaborado pelas Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras). Primeiro estudo a tratar de forma conjunta os sistemas interligados das regiões Sudeste e Sul, o plano presentou um programa de obras que incluía Itaipu e outras hidrelétricas de grande porte nos rios Grande, Paraná, Paranaíba e Iguaçu, além de três centrais nucleares em Angra dos Reis (RJ).
Interior do laboratório do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica – Cepel em Adrianópolis (RJ). Fevereiro de 1981. Acervo Eletrobras

Criação do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), sociedade civil sem fins lucrativos, encarregada de desenvolver e aplicar tecnologia em equipamentos e sistemas elétricos, com o objetivo de suprir as necessidades tecnológicas do setor de energia elétrica. Sua implantação foi proposta em 1971 pelo Ministério das Minas e Energia e concretizada após três anos de estudos que contaram com a participação de técnicos da Eletrobras e Furnas e de especialistas canadenses do Institut de Recherche de l’Hydro-Quebec (Ireq). O Cepel, tendo a Eletrobras como sua principal mantenedora, começou a funcionar em 1975, em instalações provisórias na Ilha do Fundão, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Os laboratórios de maior porte foram instalados na unidade Adrianópolis, no município de Nova Iguaçu (RJ).

Criação, pela Portaria nº 1.008, de 16 de setembro, do Ministério das Minas e Energia, do Comitê Coordenador de Operação do Nordeste (CCON), como organismo responsável pelo relacionamento operacional entre a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) e as distribuidoras estaduais da Região Nordeste. Em 1982, passou a ser integrado também pela Centrais Elétricas do Pará S.A. (Celpa) e pela Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. (Eletronorte), tendo a sua denominação alterada para Comitê Coordenador da Operação Norte-Nordeste (CCON).

Instituição, pelo Decreto-Lei nº 1.373, de 10 de dezembro, da equalização tarifária no território nacional, visando à redução das desigualdades regionais. Pelo mesmo decreto, foram criados mecanismos para transferências intrasetoriais das empresas superavitárias e deficitárias.

Criação, pelo Ministério das Minas e Energia (MME), do Comitê de Distribuição órgão colegiado composto pelas empresas participantes dos Grupos Coordenadores para Operação Interligada (GCOI) que possuíam sistemas de distribuição. Dirigido pela Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobras), o CODI foi encarregado de fixar diretrizes e definir parâmetros básicos para implantação, reformulação, manutenção, operação, proteção e segurança dos sistemas de distribuição nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Obras de construção da Usina Hidrelétrica Marimbondo, no rio Grande, entre os municípios de Fronteira (MG) e Icém (SP). S/d. Acervo Furnas

Entrada em operação da Usina Hidrelétrica Marimbondo, localizada no rio Grande, nos municípios de Icém (SP) e Fronteiras (MG). Construída por Furnas Centrais Elétricas S.A. (Furnas), a usina completou sua capacidade instalada de 1.400 MW em 1977. Suas oito unidades geradoras, somando com 180.500 kW de potência unitária, foram. O sistema de transmissão associado à hidrelétrica foi o primeiro da América Latina a operar na tensão de 500 kV.

Inauguração da UHE Marimbondo. 1975. Tempo: 1’28”. Coleção Agência Nacional – Acervo Arquivo Nacional.

O presidente Ernesto Geisel inaugura as primeiras unidades geradoras da Usina Hidrelétrica Marimbondo e visita suas instalações. Presentes o ministro Shigeaki Ueki, os governadores de Minas Gerais, Aureliano Chaves, e de São Paulo, Paulo Egydio, o presidente da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – Eletrobras, Antônio Carlos Magalhães; e o presidente de Furnas Centrais Elétricas S.A., Luiz Cláudio de Almeida Magalhães.

Usina Hidrelétrica Coaracy Nunes, no rio Araguari, entre os municípios de Amapá (AP) e Macapá (AP). S/d. Acervo Eletrobras

Entrada em operação da Usina Hidrelétrica Coaracy Nunes ou Paredão, a primeira da região Amazônica, localizada no rio Araguari, em área dos municípios de Macapá e Amapá, no então território federal do Amapá. Sua construção foi iniciada pela Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) e transferida em 1974 para a Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. (Eletronorte). Com 39 MW de capacidade instalada, a usina marcou o início das atividades da Eletronorte no segmento de geração de energia.

 O presidente Ernesto Geisel visita as instalações e aciona a máquina número dois da Usina Hidrelétrica Coaracy Nunes. Presentes o ministro das Minas e Energia, Shigeaki Ueki; o ministro do Interior, Maurício Rangel Reis; o presidente das Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. – Eletronorte, Raul Garcia Llano; e o diretor de Operação da Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. – Eletronorte, Henrique Mello. 13 de janeiro de 1976. Tempo: 1’11”. Coleção Agência Nacional – Acervo Arquivo Nacional

1979 VerbeteA1Vista aérea da eclusa e da barragem da Usina Hidrelétrica Sobradinho, no rio São Francisco, localizada a aproximadamente 50 km a montante da cidade de Juazeiro (BA) S/d. Acervo Chesf

Entrada em operação da Usina Hidrelétrica Sobradinho, localizada nos municípios de Juazeiro (BA) e Casa Nova (BA). Seu reservatório, com capacidade para armazenar mais de 34 bilhões de metros cúbicos de água, proporcionou a regularização plurianual da vazão do rio São Francisco. As obras de Sobradinho foram iniciadas em 1973 pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), a partir de indicação do Comitê Coordenador dos Estudos Energéticos da Região Nordeste (Enenorde). Projetada para operar com seis unidades geradoras de 175.000 kW, a hidrelétrica completou sua capacidade instalada de 1.050 MW em 1982. A construção da barragem implicou o assentamento de cerca de 64.000 pessoas e a reconstrução de quatro cidades – Casa Nova, Remanso, Sento Sé e Pilão Arcado – além de diversos povoados do estado da Bahia.

Desvio das águas do rio São Francisco, a cerca de 50 quilômetros de Juazeiro (BA), com a abertura das 12 comportas da Usina Hidrelétrica Sobradinho. Presentes o vice-presidente da República, Adalberto Pereira dos Santos; o ministro das Minas e Energia, Shigeaki Ueki; e o presidente da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – Eletrobras, Antônio Carlos Magalhães. 12 de julho de 1976. Tempo: 0’49”. Coleção Agência Nacional – Acervo Arquivo Nacional

Autorização para funcionamento, pelo Decreto nº 84.124, de 29 de outubro, da Empresa de Energia Elétrica do Mato Grosso do Sul S.A. (Enersul), em decorrência do desmembramento do estado do Mato Grosso e da criação do estado do Mato Grosso do Sul. A Enersul assumiu o lugar da Centrais Elétricas Matogrossenses S.A. (Cemat) como distribuidora de energia à capital Campo Grande e à maioria dos municípios do novo estado. Mudou sua denominação para Empresa Energética de Mato Grosso do Sul (Enersul). Em 1996, o governo estadual firmou parceria com a Centrais Elétricas Brasileiras S.A (Eletrobras) para administração compartilhada da empresa, visando a sua desestatização. Realizado no ano seguinte, o leilão de privatização da Enersul foi vencido pela pela Espírito Santo Centrais Elétricas S.A. (Escelsa). Passou a integrar a holding Energias do Brasil, controlada pela Energias de Portugal (EDP).
Conclusão, pelas Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras), do Plano de Atendimento aos Requisitos de Energia Elétrica. O Plano 95, como ficou conhecido, analisou as possibilidades de expansão dos sistemas elétricos de todo o país, propondo um conjunto de medidas para o atendimento do mercado de energia dos sistemas interligados e isolados nos 15 anos seguintes. Fundamentado em conhecimento mais preciso do potencial hidrelétrico brasileiro, o plano levou em conta as diretrizes estabelecidas pelo Ministério das Minas e Energia (MME) quanto à redução do uso de derivados de petróleo para a geração de energia elétrica e ao desenvolvimento prioritário de fontes energéticas renováveis, especialmente as hidrelétricas.
Autorização, pelo Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (Dnaee), da implantação do Sistema Nacional de Supervisão e Coordenação de Operação (Sinsc), sistema de informações computadorizado concebido com o objetivo de viabilizar a supervisão em tempo real da operação dos sistemas interligados. O projeto Sinsc demandou o desenvolvimento de complexas bases de dados e programas computacionais, a modernização de centros de operação das principais empresas de geração do país e a construção do Centro Nacional de Operação do Sistema (CNOS), da Eletrobras, em Brasília, inaugurado em 1989.

Usina Hidrelétrica Chave do Vaz, no rio Negro, município de Cantagalo (RJ). S/d. Acervo Cerj

Criação da Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro (Cerj), como resultado da mudança de razão social da Companhia Brasileira de Energia Elétrica (CBEE), após sua transferência para o governo estadual pela Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras). A área de concessão da Cerj abarcou as das extintas Centrais Elétricas Fluminenses S.A. (Celf) e CBEE. Incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND) em 1995, a Cerj foi a primeira concessionária estadual de energia elétrica a ser privatizada no país. Em leilão realizado em 20 de novembro de 1996, foi adquirida por consórcio formado pela empresa chilena Chilectra S.A., pela Eletricidade de Portugal (EDP) e pela espanhola Empresa Nacional de Electricidad S.A. (Endesa). Em 2004, teve sua denominação alterada para Ampla Energia e Serviços.

Usina Hidrelétrica Comendador Venâncio, no rio Muriaé, município de Itaperuna (RJ). S/d. Acervo Cerj

Usina Hidrelétrica Foz do Areia, no rio Iguaçu, entre os municípios de Pinhão (PR) e Bituruna (PR). S/d. Acervo Eletrobras

Entrada em operação da Usina Hidrelétrica Bento Munhoz Rocha Neto, mais conhecida como Foz do Areia, localizada no rio Iguaçu, em área dos municípios de Guarapuava, Mangueirinha e Pinhão (PR). A concessão para a construção da usina foi outorgada à Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) em 1973 e as obras foram iniciadas dois anos depois. A usina foi inaugurada com uma unidade geradora de 418.000 kW de potência, acrescida, até 1982, de mais três unidades. Sua barragem, de enrocamento compactado com face de concreto, foi a primeira do gênero a ser construída no Brasil e a maior do mundo à época.

Vista do edifício Alexandre Mackenzie, no centro de São Paulo, por ocasião da instalação da Eletropaulo – Eletricidade de São Paulo. 23 de março de 1981. Acervo FPHESP

Decreto Estadual nº 85.839, de 24 de março, autoriza o funcionamento da Eletropaulo – Eletricidade de São Paulo S.A. (Eletropaulo), empresa criada pelo governo de São Paulo a partir da incorporação do sistema paulista da Light Serviços de Eletricidade S.A. (Light). A Eletropaulo assumiu a concessão dos serviços de distribuição de energia elétrica em municípios da Grande São Paulo, da Baixada Santista e do Vale do Paraíba. Em 1983, o governo do estado de São Paulo criou o Conselho Estadual de Energia e unificou administrativamente a Eletropaulo, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Em 1997, a Eletropaulo foi reestruturada, em conformidade com o programa de desestatização do governo estadual, dando origem à Eletropaulo Metropolitana – Eletricidade de São Paulo S.A., à Empresa Bandeirante de Energia S.A. (EBE), à Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica S.A. (EPTE) e à Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A. (Emae) Em 15 de abril de 1998, a Eletropaulo Metropolitana foi privatizada, em leilão decidido pela oferta de um único licitante: a Lightgás, subsidiária integral da Light Serviços de Eletricidade, composta pela estatal francesa Electricité de France, pelas empresas norte-americanas AES Corporation e Houston Industries Energy e pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Em 2001, a concessionária passou ao controle da AES.

Entrada em operação do sistema de transmissão interligado Norte-Nordeste, permitindo de imediato o suprimento de energia à região Norte, principalmente à cidade de Belém (PA), produzida pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). A interligação Norte-Nordeste foi composta por 1.770 km de linhas de 500 kV implantadas desde a usina de Sobradinho (BA) até a subestação Vila do Conde (PA), passando pela subestações São João (PI), Boa Esperança (PI), Presidente Dutra (MA), Imperatriz (MA), Marabá (PA) e a usina de Tucuruí, na época ainda em construção. A energização desse sistema permitiu a desativação de diversas usinas térmicas de pequeno porte, proporcionando substancial economia em derivados de petróleo importados, além de evitar a continuação de desligamentos e racionamentos que punham em risco importantes complexos industriais, localizados principalmente no estado do Pará.
Lançamento do Plano de Suprimento aos Requisitos de Energia Elétrica até o ano 2000, elaborado pela Eletrobras a pedido do Ministério das Minas e Energia (MME). Conhecido como Plano 2000, o documento levou em conta as diretrizes governamentais de intensificação da utilização do carvão nacional e o alongamento do prazo de construção de algumas obras, em decorrência da desaceleração do mercado de energia elétrica e da limitação de investimentos do setor.
Criação, pela Portaria nº 1.617, de 23 de novembro, do Ministério das Minas e Energia (MME), do Grupo Coordenador de Planejamento dos Sistemas Elétricos (GCPS), como órgão colegiado responsável pelo planejamento da expansão dos sistemas elétricos brasileiros. A portaria do MME oficializou a existência do GCPS que já vinha funcionando informalmente desde 1980 por iniciativa da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras), congregando as principais empresas geradoras do país. O GCPS passou produzir anualmente os programas decenais de geração e transmissão, tendo em conta os requisitos de mercado dos diversos sistemas elétricos, a disponibilidade para investimentos e a viabilidade físico-construtiva dos empreendimentos. Posteriormente, o GCPS incorporou também a área de distribuição, consolidando os programas decenais de geração, transmissão e distribuição num documento único intitulado Plano Decenal de Expansão. Também participou da análise e validação das novas metodologias de planejamento desenvolvidas pelas empresas e pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel). Foi sucedido pelo Comitê Coordenador de Planejamento dos Sistemas Elétricos (CCPE).

1984 VerbeteA1Usina Hidrelétrica Tucuruí, no rio Tocantins, próxima à cidade de Tucuruí (PA). S/d. Acervo Eletronorte

Entrada em operação da Usina de Tucuruí, primeira hidrelétrica de grande porte construída na Amazônia. Situada no rio Tocantins, no município de Tucuruí (PA), distante 300 km em linha reta de Belém, a usina foi incluída entre os empreendimentos prioritários do II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND), levando em conta a grande demanda de energia de projetos de indústrias eletrointensivas na Amazônia e também o atendimento à região Nordeste.
A Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. (Eletronorte), criada em 1973, realizou os estudos de viabilidade técnica da usina e iniciou sua construção em 1976. A primeira etapa do empreendimento foi concluída com 12 unidades geradoras de 350 MW e duas unidades auxiliares, perfazendo 4.245 MW de potência em 1992. A linha de transmissão entre os municípios de Presidente Dutra (MA) e Boa Esperança (PI) possibilitou a interligação com a Região Nordeste. As obras da segunda etapa de Tucuruí tiveram início em junho de 1998, visando à duplicação da potência instalada da usina e a conclusão do sistema de transposição de sua barragem por meio de duas eclusas. A segunda casa de força da hidrelétrica abriga onze unidades geradoras de 375 MW que foram colocadas em operação entre 2003 e 2007, elevando a capacidade nominal do aproveitamento para 8.370 MW.

Visita do presidente da República, Ernesto Geisel, às obras da Usina Hidrelétrica Tucuruí no Pará. Presentes a primeira-dama, Luci Geisel; o ministro das Minas e Energia, Shigeaki Ueki; o ministro dos Transportes, Dirceu Nogueira; e o governador do Estado do Pará, Aluísio Chaves; e o presidente da Eletronorte, Raul Garcia Llano. 7 de julho de 1978. Tempo: 1’21” Coleção Agência Nacional – Acervo Arquivo Nacional

Torre do primeiro circuito em 500 kV, da linha de transmissão Norte-Nordeste. S/d. Acervo Eletronorte

Usina Hidrelétrica Itaipu, no rio Paraná, entre o Brasil e o Paraguai. S/d. Acervo Itaipu

Entrada em operação da Usina Hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo em produção de energia. Localizada no rio Paraná, em área dos municípios de Foz do Iguaçu (PR) e Ciudad del Este, no Paraguai, foi construída e é operada pela Itaipu Binacional, entidade gerida, em partes iguais, por Brasil e Paraguai. Os estudos de viabilidade e o projeto básico foram realizados pelo consórcio entre a empresa norte-americana Internacional Engineering Company (IECO) e a italiana Electroconsult Spa (ELC). O projeto final foi desenvolvido pelas empresas brasileiras Themag, Engevix, Promon e Hidroservice em cooperação com firmas paraguaias. As obras civis, iniciadas em 1975, foram divididas entre dois consórcios de construtoras, um de cada país. O consórcio brasileiro, denominado União de Construtores (Unicon), reuniu as maiores empresas de construção civil pesada do país. Na execução do empreendimento, merecem destaque: a abertura do canal de desvio do rio Paraná, em 1978; a conclusão da barragem e o início da formação do reservatório, em 1982; a entrada em operação da 18ª unidade geradora em 1991, quando a usina atingiu os 12.600 MW de potência do projeto original; e a inauguração de duas novas unidades em 2007, perfazendo o total de 14.000 MW de capacidade instalada.

Criação do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) pela Portaria Interministerial nº 1.877, de 30 de dezembro, expedida pelo Ministério das Minas e Energia (MME) e pelo Ministério da Indústria e Comércio (MIC). O Procel surgiu com o objetivo de promover a conservação e o uso eficiente e racional da energia elétrica, tendo em vista a melhoria da qualidade dos serviços, a eliminação dos desperdícios e a redução dos custos e investimentos setoriais. O gerenciamento do Procel ficou a cargo do Grupo Coordenador de Conservação de Energia Elétrica (GCCE), constituído sob a presidência do secretário-adjunto do MME com a participação de representantes de organismos dos ministérios envolvidos no programa. A partir de 1993, parte dos recursos da Reserva Global de Reversão (RGR) passou a ser utilizada para financiar projetos de conservação das concessionárias. Neste ano, também, foram criados o Selo Procel de Economia de Energia e o Prêmio Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia.

Interior da Usina Termonuclear Álvaro Alberto, mais conhecida como Angra I, construída na região da baía de Ilha Grande, município de Angra dos Reis (RJ). S/d. Acervo Furnas

Entrada em operação da Usina Angra I, integrante da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), com 640 MW de potência localizada na região da baía da Ilha Grande, no município de Angra dos Reis (RJ). O programa de geração nuclear brasileiro teve início em 1969, quando a Central Elétrica de Furnas S. A., por delegação da Centrais Elétricas Brasileiras S. A. (Eletrobras), deu partida aos estudos para instalação da primeira usina nuclear do país. Em 1972, a empresa começou as obras civis da central de Angra 1, projetada para operar com um reator a urânio enriquecido e de água leve pressurizada (PWR na sigla em inglês) que foi encomendado à empresa norte-americana Westinghouse, em sistema de turn-key (sem transferência tecnológica). Adicionalmente, foi firmado acordo entre o Brasil e os Estados Unidos (EUA), garantindo o fornecimento de urânio enriquecido em troca de urânio natural brasileiro.

Vista da Usina Termonuclear Álvaro Alberto, mais conhecida como Angra I, construída na região da baía de Ilha Grande, município de Angra dos Reis (RJ). S/d. Acervo Furnas

Criação da Associação Nacional das Empresas Estaduais de Energia Elétrica (Acesa) tendo como principais objetivos congregar, orientar e defender suas associadas; fomentar a mútua colaboração e assistência entre elas e colaborar com os poderes públicos no estudo e solução dos problemas que tivessem relação direta ou indireta com a energia. A entidade foi extinta em 1998.
Lobo-guará na Reserva Biológica de Peti (MG). S/d. Acervo Cemig

Divulgação, pela Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras), do Plano Diretor para Conservação e Recuperação do Meio Ambiente nas Obras e Serviços do Setor Elétrico (I PDMA), marco da reorientação do setor no equacionamento das questões socioambientais.

Onça-preta no Jardim Zoológico de Ilha Solteira (SP). S/d. Acervo FPHESP

Resolução nº 1, de 23 de janeiro, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama condiciona o licenciamento de usinas de potência superior a 10 MW e de linhas de transmissão acima de 230 kV à aprovação de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (Rima) pelas entidades ambientais de âmbito federal ou estadual conforme o caso.

Divulgação do Plano Nacional de Energia Elétrica (1987-2010), conhecido como Plano 2010, instrumento de planejamento de longo prazo elaborado pela , pela Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras) Eletrobras, com a colaboração de técnicos do Ministério das Minas e Energia (MME), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada (Ipea) e da Empresas Nucleares Brasileiras S.A. (Nuclebrás).

Torre de transmissão de uma das três linhas de 750 kV entre as subestações de Foz do Iguaçu (PR) e Tijuco Preto (SP). S/d. Acervo Itaipu

Entrada em operação das primeiras unidades geradoras de 60 Hz da usina binacional de Itaipu e conclusão da primeira linha de 750 kV do tronco de transmissão em corrente alternada associado a Itaipu, implantado por Furnas Centrais Elétricas ao longo dos trechos entre as subestações de Foz do Iguaçu (PR), Ivaiporã (PR), Itaberá (SP) e Tijuco Preto (SP), com extensão total de 891 km.
Criação, pelo Ministério das Minas e Energia (MME), do programa de Revisão Institucional de Energia Elétrica (Revise), fórum de debate sobre a revisão da legislação dos serviços públicos de eletricidade e do modelo de organização setorial. O programa mobilizou dirigentes e profissionais graduados das empresas de energia elétrica, do Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (Dnaee) e de outros órgãos governamentais, além de representantes de entidades privadas, sendo encerrado sem resultados práticos em 1989.
Criação, pela Portaria nº 511, de 26 de abril, do Ministério das Minas e Energia (MME), do Comitê Coordenador das Atividades do Meio Ambiente do Setor Elétrico (Comase), com a atribuição de coordenar as atividades relativas ao meio ambiente integrantes dos planos de expansão dos sistemas elétricos, estabelecendo as políticas, diretrizes, metodologias, normas e procedimentos pertinentes.

Autorização para funcionamento, pelo Decreto nº 97.711, de 4 de maio, da Companhia de Energia Elétrica do Estado de Tocantins (Celtins), formada em decorrência do desmembramento do estado de Goiás e da criação do estado do Tocantins. A empresa foi constituída em agosto do mesmo ano mediante transferência de parte dos ativos da Centrais Elétricas de Goiás S.A. (Celg) para o governo do novo estado. No mês seguinte, foi privatizada, por meio de concorrência pública vencida por um consórcio de empresas, formado pelas concessionárias Caiuá Serviços de Eletricidade, Companhia Nacional de Energia Elétrica (CNEE), Empresa Elétrica Bragantina (EEB) e Empresa de Eletricidade do Vale do Paranapanema (EEVP). Em 2012, sofreu intervenção da Agência Nacional de Energia Elétrica, juntamente com as demais empresas do grupo Rede. Em 2014, passou a integrar o grupo Energisa.

Divulgação, pela Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras), do Plano Diretor para Conservação e Recuperação do Meio Ambiente nas Obras e Serviços do Setor Elétrico (II PDMA), versão atualizada do I PDMA.
Criação, pela Lei nº 8.031, de 12 de abril, do Programa Nacional de Desestatização (PND).
Extinção, pela Lei nº 8.028, em 12 de abril, do Ministério das Minas e Energia (MME), substituído, em suas atribuições, pelo Ministério da Infra-Estrutura (Minfra), que também assumiu as atribuições dos ministérios dos Transportes e da Comunicação.
Criação, pela Portaria nº 895, de 29 de setembro, do Ministério da Infra-Estrutura (Minfra), do Grupo Técnico Operacional da Região Norte (GTON), órgão colegiado responsável pelo apoio às atividades relativas à manutenção dos sistemas de geração, transmissão e distribuição, bem como de utilização e comercialização de energia elétrica dos Sistemas Isolados da Região Norte e regiões vizinhas.