1898-1929 – Capital estrangeiro e grupos privados nacionais

Criação da Companhia Energia Elétrica da Bahia (CEEB), com controle acionário do grupo American & Foreign Power Company (Amforp), responsável pelos serviços de telefonia e de distribuição de energia elétrica. Com a compra da Amforp pelo governo federal, tornou-se subsidiária da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras) em 1964, sendo incorporada, em 1973, pela Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba).

1929 VerbeteA1Operadoras de telefonia da Companhia Energia Elétrica da Bahia – CEEB, na cidade de Salvador (BA). S/d. Acervo Coelba

1929 VerbeteA2Obras de construção da barragem da Usina Hidrelétrica Bananeiras, no rio Paraguaçu, município de Conceição da Feira (BA). S/d

Constituição da Companhia Força e Luz do Paraná S.A. (CFLP), como empresa subsidiária do grupo Amforp, para atuar na produção, transmissão e distribuição de energia elétrica na capital Curitiba e municípios vizinhos, no estado do Paraná. Absorveu a firma inglesa South Brazilian Railways Ltd., concessionária dos serviços de iluminação pública e bondes em Curitiba desde 1910 e 1912, respectivamente. Passou ao controle da Eletrobras em 1964, como decorrência da compra da Amforp pelo governo federal. Em 1973, foi incorporada pela Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel).
Entrada em operação da Usina Hidrelétrica Cândido Rondon ou Casca I, primeira do estado de Mato Grosso. A usina, situada no rio Casca, município de Chapada dos Guimarães, contava com dois grupos geradores de 496 kW cada. Foi desativada em 1954, ano em que entrou em funcionamento a Usina Hidrelétrica Fernando Correa da Costa ou Casca II.
A Amforp iniciou suas atividades no país com a constituição da Empresas Elétricas Brasileiras S.A. (EEB), posteriormente Companhia Auxiliar de Empresas Elétricas Brasileiras (Caeeb). Em três anos, a multinacional adquiriu o controle acionário de dezenas de concessionárias de capital privado nacional que atuavam no interior de São Paulo, como a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), e em outros estados, como a Companhia Brasileira de Energia Elétrica (CBEE), do Rio de Janeiro, e a Companhia Força e Luz de Minas Gerais (CFLMG), de Belo Horizonte. Criada em 1923 pela empresa americana Electric Bond & Share Corporation (Ebasco), a Amforp tornou-se o segundo maior grupo a atuar no setor de energia elétrica brasileiro. Sua chegada acelerou a concentração e a centralização das empresas concessionárias. Foi adquirida pelo governo federal em 1964. A Caeeb continuou a gerir as concessionárias filiadas até 1968, na qualidade de subsidiária da Eletrobras, quando as antigas empresas da Amforp foram incorporadas, em sua maioria, às concessionárias públicas estaduais.

1927 VerbeteB1Bonde elétrico circulando em Vitória (ES). Década de 1920. Acervo Nilton Pimenta

Criação, na cidade de Vitória (ES), da Companhia Central Brasileira de Força Elétrica (CCBFE), do grupo Amforp, abrangendo as empresas Serviços Reunidos de Vitória e Serviços Reunidos de Itapemirim. A empresa obteve concessão de exploração, por período de 50 anos, dos serviços urbanos e de eletricidade, atuando nos municípios de Vitória, Cachoeiro do Itapemirim, Castelo, Alfredo Chaves, Domingos Martins, Vila Velha, Cariacica, Viana e Atílio Vivacqua. Em 1964 foi
comprada pelo governo brasileiro, passando ao controle da Eletrobras. Foi incorporada pela Espírito Santo Centrais Elétricas S.A. (Escelsa) em 1968.

1926 VerbeteA1Casa de força da Usina Hidrelétrica Cubatão I, atual Usina Hidrelétrica Henry Borden Externa, município de Cubatão (SP). 1928. Acervo FPHESP

Entrada em operação da primeira unidade geradora da Usina Hidrelétrica Cubatão, atual Usina Hidrelétrica Henry Borden Externa, localizada no município de Cubatão (SP), na vertente oceânica da Serra do Mar. A usina, da São Paulo Light & Power Company, contava com um sofisticado sistema de barragens e reservatórios destinados a represar as águas dos rios Grande e das Pedras, lançando-as através de tubulação forçada, numa queda de mais de 700 metros. Com capacidade instalada inicial de 28.000 kW, sua implantação permitiu superar a crise no abastecimento de energia elétrica vivenciada no período.

1926 VerbeteA2Interior da casa de força da Usina Hidrelétrica de Cubatão I, atual Usina Hidrelétrica Henry Borden Externa, município de Cubatão (SP). S/d. Acervo FPHESP

A primeira usina do estado de Sergipe, a hidrelétrica Santa Cruz, entrou em operação. Localizada no rio Piauí, no município de Estância, possuía, originalmente, unidade geradora de 350 kW. Pertenceu à Companhia Industrial de Estância, passando, em 1958, ao controle da Companhia Sul Sergipana de Eletricidade (Sulgipe).

Criação, no município de Nova Friburgo (RJ), da Empresa de Eletricidade Julius Arp & Cia., por iniciativa do empresário Julius Arp. A empresa passou a operar a Usina Hidrelétrica Hans, de 1911 e, em 1929, inaugurou a Usina Hidrelétrica Catete. Em 1937, foi sucedida pela Companhia de Eletricidade Nova Friburgo (Cenf), que, em 1956, colocou em operação a Usina Hidrelétrica Xavier. Em 1997, a Cenf passou a integrar o Sistema Cataguazes-Leopoldina. Em 2008, teve sua razão social alterada para Energisa Nova Friburgo Distribuidora de Energia.

1924 VerbeteA1Vista da barragem da Usina Hidrelétrica Ilha dos Pombos, no rio Paraíba do Sul, município de Carmo (RJ). S/d. Acervo Light

Com o objetivo de atender ao aumento de demanda por energia elétrica na capital do país, a Usina Hidrelétrica Ilha dos Pombos foi colocada em operação. Localizada no rio Paraíba do Sul, município de Carmo (RJ), possuía a barragem com as maiores comportas de concreto do mundo à época. Com projeto do engenheiro americano Asa Billings, a usina teve a sua construção iniciada em 1922, a cargo da Brazilian Hydro Electric Company Ltd., empresa criada no Canadá com este propósito e incorporada neste mesmo ano pela Light. A usina foi inaugurada com 22 MW e suas ampliações, ainda na década de 1920, duplicaram o potencial das unidades geradoras da Light no Rio de Janeiro.

Criação da Companhia de Energia Elétrica Riograndense (Ceerg), absorvendo o acervo da Companhia Fiat Lux, criada em 1891 por iniciativa do francês Aimable Jouvin, e, posteriormente, da Companhia Força e Luz Porto Alegrense. Integrou o grupo Amforp e foi encampada pelo governo estadual em 1959.
Início da fabricação de fios e cabos elétricos no Brasil pela Companhia Nacional de Artefatos.

Constituição da Companhia Sul Mineira de Eletricidade (CSME) para fornecimento de energia elétrica a 17 municípios de Minas Gerais, dentre os quais Itajubá, Ouro Fino e Varginha. Veio a incorporar, até a década de 1940, diversas empresas privadas de âmbito municipal no estado de Minas Gerais. Foi, por sua vez, incorporada pela Cemig em 1967.

Inauguração da Fábrica Mazda, da General Electric, primeira especializada na fabricação de lâmpadas elétricas do Brasil.

Entrada em operação da primeira usina do estado do Maranhão, a térmica Codó, localizada no município de mesmo nome. Foi construída pela Prefeitura Municipal de Codó e foi inaugurada com um motor de combustão interna, a carvão, de 30 HP de potência, acoplado a gerador de 30 kW. Posteriormente, foram acrescentadas duas novas unidades a diesel, de 44 e 100 kW cada, tendo sido a unidade a carvão retirada de funcionamento em 1947. Sob o controle da Centrais Elétricas do Maranhão S.A. (Cemar) desde 1971, a usina foi desativada em 1980.

Entrada em operação da primeira usina do estado de Pernambuco – a térmica Recife, também denominada Mauricéia – localizada no município de Recife, às margens do rio Capibaribe. Foi construída pela Pernambuco Tramways & Power Company Ltd. e gerava, inicialmente, 300 kW, passando, em 1917, a 3.000 kW. Foi desativada em 1968, já sob o controle da Companhia de Eletricidade de Pernambuco S.A. (Celpe).

Entrada em operação da primeira usina do estado do Piauí – a termelétrica a lenha denominada Usina Elétrica de Teresina – localizada na capital estadual, às margens do rio Parnaíba, com potência instalada inicial de 224 kW.

Entrada em operação da primeira usina do estado de Pernambuco – a térmica Recife, também denominada Mauricéia – localizada no bairro de São José, no município de Recife, às margens do rio Capibaribe. Foi construída pela Pernambuco Tramways & Power Company Ltd. e gerava, inicialmente, 300 kW, passando, em 1917, a 3.000 kW. Foi desativada em 1968, já sob o controle da Companhia de Eletricidade de Pernambuco S.A. (Celpe).
Entrada em operação da primeira usina do estado do Piauí – a termelétrica a lenha denominada Usina Elétrica de Teresina – localizada no município de mesmo nome, às margens do rio Parnaíba, com potência instalada inicial de 224 kW.
1913 VerbeteA1Vista da Usina Hidrelétrica Delmiro Gouveia, na queda d’água de Angiquinho, rio São Francisco. S/d. Acervo Eletrobras

Entrada em operação da Usina Hidrelétrica Angiquinho, marco da geração de energia elétrica na região Nordeste. Aproveitando o potencial hidrelétrico da Cachoeira de Paulo Afonso, no rio São Francisco, na divisa dos estados de Alagoas e Bahia, a usina contava com três turbinas que totalizavam 1.500 HP. Foi usada, inicialmente, para acionar as máquinas da fábrica de linhas e fios da Companhia Agro-Fabril Mercantil, do industrial Delmiro Gouveia, construtor da usina. Posteriormente, a energia foi utilizada para o fornecimento de luz elétrica à vila Operária de Pedra, no atual município de Delmiro Gouveia (AL), onde residiam os trabalhadores da fábrica.
Instalações da Usina Hidrelétrica Delmiro Gouveia. 1997. Produzido pela RTV Produções. Tempo: 1′. Acervo Chesf
1913 VerbeteB1
Bonde Elétrico inglês em Recife (PE). 1924.Acervo Biblioteca Estadual de Recife

Criação da Pernambuco Tramways & Power Company Ltd., a partir de contrato assinado, com prazo de 50 anos, entre o governo do Estado de Pernambuco e a firma inglesa Bruce Peebles Co. Ltd.,

como concessionária dos serviços de iluminação pública e particular de Recife (PE). A empresa passou ao controle do grupo Amforp no final da década de 1920. Foi transferida para a União em 1964, em decorrência da compra da Amforp pelo governo federal, tendo sido absorvida pela Celpe em 1968.

Aquisição do controle acionário da Empresa Elétrica de Piracicaba pela empresa inglesa The Southern Brazil Electric, através de seu representante no Brasil, Alberto Byington, proprietário da Byington & Companhia. A Empresa Elétrica de Piracicaba, de 1903, havia sucedido a Empresa Elétrica Luís de Queiroz, de 1890. Adquiriu também as ações da Companhia Mogiana de Luz e Força e da Companhia Campineira de Tração, Luz e Força. Em 1892, as empresas passaram ao controle do grupo Amforp, tendo sido incorporadas pela CPFL em 1950.
Como resultado da reestruturação do grupo Light, foi criada em Toronto (Canadá) a holding Brazilian Traction, Light & Power Company Ltd., que unificou as empresas do grupo – a São Paulo Tramway, Light & Power Company Ltd., a Rio de Janeiro Tramway, Light & Power Company Ltd. e a São Paulo Electric Company – responsáveis pela maior parte dos serviços de energia elétrica, bondes e telefonia do eixo Rio-São Paulo, dando início a um forte processo de monopolização do setor de energia elétrica no país.

Inauguração dos serviços de eletricidade na Praça João Pessoa, Botucatu (SP). A empresa Força e Luz de Botucatu foi a base para a formação da Companhia Paulista de Força e Luz – CPFL. Fevereiro de 1907. Acervo CPFL

Criação da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), por iniciativa dos engenheiros e capitalistas Manfredo Antonio da Costa e José Balbino de Siqueira. A companhia incorporou a Empresa Força e Luz de Botucatu, de 1905, e absorveu, nos anos posteriores, diversas concessionárias que atendiam a cidades do interior do estado: em 1913, a Empresa Força e Luz de São Manoel e a Companhia Elétrica do Oeste de São Paulo; em 1914, a Empresa Força e Luz Agudos-Pederneiras; e, em 1919, a Empresa de Eletricidade de Bauru. Sua fundação representou uma das primeiras tentativas de criação de um sistema integrado de produção e distribuição de energia elétrica no interior do estado de São Paulo. Em 1927, já pertencente ao grupo Amforp, incorporou a Companhia de Força e Luz de Avanhandava. Absorveu diversas outras empresas nas décadas de 1940 e 1950, até sua federalização em 1964. Em 1975, teve seu controle transferido para a Centrais Elétricas de São Paulo S.A. (Cesp) e, em 1997, foi privatizada.

Criação da Companhia Paulista de Energia Elétrica (CPEE), incorporando a Empresa Força e Luz Santa Alice – constituída em 1906 e sucessora do Sindicato de Luz Elétrica de São José do Rio Preto, de 1896, e da Companhia Luz Elétrica Rio Pardense, de 1903. Incorporou também a Companhia Força e Luz de Itápolis e Ibitinga, em 1913. Parte dos bens, direitos e privilégios da CPEE deram origem à Companhia Douradense de Eletricidade, vendida à Amforp em 1929. A CPEE adquiriu o controle acionário da Sociedade Anônima de Eletricidade Sul Paulista, posteriormente Companhia Sul Paulista de Energia (CSPE), em 1978, da Companhia Jaguari de Energia (CJE) no ano seguinte, e da Companhia Luz e Força de Mococa (CLFM) em 1997. O grupo CPEE foi adquirido pela CMS Energy Brasil S.A. em 1999.
Criação da Empresa de Eletricidade de Araraquara, do grupo liderado por Ataliba Vale, Fonseca Rodrigues e Ramos de Azevedo. Atuando nos municípios de Ribeirão Bonito e Rincão, no estado de São Paulo, a empresa adquiriu, posteriormente, o controle acionário da Empresa de Eletricidade São Paulo e Rio, passando a servir também a uma parte do Vale do Paraíba. Foi adquirida pelo grupo Amforp em 1927 e incorporada à CPFL em 1947.
Criação da Empresa de Eletricidade de Rio Preto, do grupo capitaneado por Armando de Sales Oliveira e seu sogro, Júlio de Mesquita, diretor do jornal O Estado de São Paulo, com o objetivo de explorar as concessões de energia elétrica nos municípios de Rio Preto, Uchoa, Ibirá e Potirendaba, no estado de São Paulo. Passou ao controle do grupo Amforp em 1928 e, na década de 1940, foi incorporada pela CPFL.
Organização da Sociedade Anônima Central Elétrica Rio Claro, a partir da aquisição, pelo grupo de empresários paulistas, integrado pelo advogado e político Elói de Miranda Chaves e por membros da família Rodrigues Alves, da Central Elétrica Rio Claro, empresa criada em 1900 como sucessora da Companhia Mecânica Industrial Rio Clarense que, desde 1891, respondia pelos serviços de iluminação pública no município de Rio Claro (SP). A empresa passou a fornecer luz e força aos municípios paulistas de Rio Claro, Limeira, Araras e Cordeiro. Na década de 1920, incorporou a Empresa Água, Luz e Força de Mogi-Mirim e a Companhia Melhoramentos de Mogi Guaçu S.A., e, posteriormente, a Companhia Força e Luz de Jacutinga. Em 1965, foi incorporada pela Companhia Hidrelétrica do Rio Pardo (Cherp).
Entrada em operação da primeira usina do estado de Rondônia, a termelétrica Porto Velho, localizada no município de mesmo nome, às margens do rio Madeira. Também denominada Usina de Luz da Ferrovia Madeira-Mamoré, pertenceu, originalmente, à Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, atendendo exclusivamente à ferrovia entre 1908 e 1912. Nesse ano, passou a atender a toda a cidade de Porto Velho, sendo desativada na década de 1940.
Entrada em operação da primeira usina do estado da Paraíba, a termelétrica Cruz do Peixe, localizada no município de João Pessoa. Construída pela Empresa Tração, Luz e Força (ETLF), destinava-se à iluminação da cidade, que foi inaugurada com a utilização de 500 lâmpadas. Contando com um gerador de 420 kVA, acionado por caldeira a vapor, a termelétrica funcionou até a década de 1940.

Criação da Empresa de Eletricidade Sul Paulista, responsável pela instalação das usinas hidrelétricas Turvinho, em 1912; São José, em 1934; e Lavrinha, em 1947. Foi adquirida pela Companhia Paulista de Energia Elétrica (CPEE) em 1978, passando a denominar-se Companhia Sul Paulista de Energia (CSPE), com atuação nos municípios paulistas de Itapetininga, São Miguel Arcanjo, Sarapuí, Guareí e Alambari.

1910 VerbeteA1Gerador de corrente contínua Brush de 15.000 volts, instalado em 1910 para prover a iluminação pública de Manaus (AM). S/d. Acervo Memória da Eletricidade

Criação da Manaus Tramways & Light Company Ltd., de capital inglês, que passou a explorar os serviços de eletricidade e bondes na cidade de Manaus (AM), a partir de contrato firmado em 1918. Foi incorporada pela Companhia de Eletricidade de Manaus (CEM) em 1952.

1910 VerbeteB1Estrada de Ferro do Corcovado. S/d. Acervo Museu da Imagem e do Som (RJ)

Inauguração da eletrificação da Estrada de Ferro do Corcovado, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), a primeira ferrovia brasileira a ser eletrificada e, também, a primeira do Brasil destinada exclusivamente ao turismo.

Organização da São Paulo Electric Company Ltd. em Londres, como subsidiária do grupo Light, tendo por finalidade a construção da Usina Hidrelétrica Itupararanga. No ano seguinte, foi autorizada a funcionar no Brasil e adquiriu a Empresa de Eletricidade de Sorocaba. A partir de 1912, passou ao controle da Brazilian Traction, Light & Power Company, holding do grupo Light no Brasil.

1909 VerbeteA1Subestação Rio da Cidade, no município de Petrópolis (RJ). 29 de março de 1908. Acervo Memória da Eletricidade

Criação da Companhia Brasileira de Energia Elétrica (CBEE), tendo como acionista majoritária a Guinle & Companhia e sendo responsável pela produção e distribuição de energia elétrica no estado do Rio de Janeiro. A nova empresa obteve a concessão dos serviços de iluminação pública e particular da cidade de Niterói (RJ) e de parte de São Gonçalo (RJ). Implantou a primeira linha de bondes da cidade de Petrópolis (RJ), chamada Cascatinha, a subestação Rio da Cidade e a Usina Hidrelétrica Piabanha. A empresa atuava ainda no estado da Bahia, a partir da transferência dos direitos de exploração feita pela Guinle & Companhia. Em 1920, colocou em operação a Usina Hidrelétrica Bananeiras, no rio Paraguaçu (BA) e, nesta mesma década, construiu a Usina Hidrelétrica Fagundes, no estado do Rio de Janeiro, próxima à usina de Piabanha. Em 1927, passou ao controle acionário da American & Foreign Power Company (Amforp). Em 1964, com a compra da Amforp pelo governo federal, passou ao controle da Eletrobras. Em 1980, teve sua razão social alterada para Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro (Cerj).

1909 VerbeteA2Inauguração do bonde elétrico na cidade de Petrópolis (RJ), 1912. Acervo A Noite Ilustrada

1909 VerbeteB1Usina Hidrelétrica Jucu, a mais antiga do sistema Escelsa, localizada no rio Jucu, entre os municípios de Domingos Martins (ES) e Viana (ES). S/d. Acervo Escelsa

Inauguração da primeira usina do estado do Espírito Santo, a hidrelétrica Jucu, no rio de mesmo nome, município de Domingos Martins. Com barragem do tipo gravidade, aproveitando queda de 50 metros, entrou em operação com dois grupos geradores de 320 kW cada. Pertenceu à empresa Serviços Reunidos de Vitória, passando, posteriormente, à Companhia Central Brasileira de Força Elétrica (CCBFE) e à Espírito Santo Centrais Elétricas S.A. (Escelsa). Pertence atualmente a EDP Pequenas Centrais Hidroelétricas, empresa do grupo EDP Energias de Portugal.

1908 VerbeteA1Vista do Chateau d’Eau na Exposição Nacional. 24 de setembro de 1908. Acervo Memória da Eletricidade

Realização da primeira iluminação de caráter monumental feita no Brasil, na inauguração, no bairro da Urca, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), da Exposição Nacional de 1908, comemorativa do centenário da abertura dos portos brasileiros à navegação internacional. A iluminação utilizava lâmpadas Edison de filamento de carvão.
1908 VerbeteA2Vista noturna do Chateau d’Eau na Exposição Nacional. 24 de setembro de 1908. Acervo Memória da Eletricidade

1908 VerbeteB1Usina Hidrelétrica Fontes Velha, localizada no ribeirão das Lajes, município de Piraí (RJ). S/d. Acervo Memória da Eletricidade

Entrada em operação da Usina Hidrelétrica Fontes Velha, da Rio de Janeiro Tramway, Light & Power Company. Maior usina do Brasil e uma das maiores do mundo na época, localizava-se no ribeirão das lajes, município de Piraí (RJ), e foi responsável pelo abastecimento da energia empregada na iluminação pública e residencial e na tração dos bondes elétricos da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Com uma potência inicial instalada de 12.000 kW, teve sua capacidade de geração ampliada graças à construção do reservatório de Lajes, da barragem de Tocos e do desvio parcial de águas do rio Piraí, somando, a partir de 1913, uma capacidade nominal de 49.000 kW e, em regime de sobrecarga, 64.000 kW. Foi desativada em 1989.

1908 VerbeteB2Interior da casa de força da Usina Hidrelétrica Fontes Velha, no ribeirão das Lajes, município de Piraí (RJ). S/d. Acervo Memória da Eletricidade

A primeira usina do estado de Santa Catarina, a hidrelétrica Piraí, entrou em operação. Localizada no rio Piraí, município de Joinville, contava inicialmente com dois grupos geradores, com 200 kW de potência cada um. A partir de ampliações realizadas até 1928, alcançou a potência de 1.552 kW. Pertenceu à Empresa Sul Brasileira de Eletricidade S.A. (Empresul), passando, posteriormente, à Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. (Celesc).
Entrada em operação da primeira usina do estado do Acre, a termelétrica Cruzeiro do Sul, localizada no município de mesmo nome. Utilizava lenha como combustível e possuía dois geradores, com potência de 12 e 16 kW, respectivamente.

1905 VerbeteB1Inauguração da Usina Hidrelétrica Maurício, localizada no rio Novo, município de Leopoldina (MG). 1908. Acervo CFLCL

Criação da Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina (CFLCL), para exploração de energia elétrica e comércio de materiais elétricos nos municípios de Cataguazes e Leopoldina, no estado de Minas Gerais, por iniciativa dos advogados José Monteiro Ribeiro Junqueira e Norberto Custódio Ferreira e do comerciante João Duarte Ferreira. Em 1908, a companhia inaugurou a Usina Hidrelétrica Maurício, com 800 kW, localizada no rio Novo, no município de Leopoldina (MG), destinada ao fornecimento de energia elétrica a este município e ao de Cataguazes. A CFLCL explorou os serviços de telefonia nos municípios mineiros de Ubá, Leopoldina, Rio Novo, Além Paraíba, Visconde do Rio Branco, Mar de Espanha, São João Nepomuceno, Rio Pomba, Guaraná, Guarani e Bicas, por intermédio de parceria firmada com a empresa Rio de Janeiro & São Paulo Telephone Company. Adquiriu a Serviços Elétricos de Muriaé, em 1910; a Companhia Pombense de Eletricidade, em 1918; a Empresa Força e Luz Além Paraíba, em 1949; mais tarde, na década de 1970, a Companhia Leste Mineira de Eletricidade; e, nos anos 1990, a Empresa Industrial Miray S.A.; a Companhia de Eletricidade Nova Friburgo (Cenf); a Empresa Energética de Sergipe (Energipe); a Companhia Energética da Borborema (Celb); e a Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba (Saelpa).

Interior da Usina Termelétrica Preguiça, localizada na freguesia da Conceição da Praia, em Salvador (BA). S/d. Acervo Coelba

A primeira usina do estado da Bahia, a térmica Preguiça Velha, entrou em operação. Localizada no município de Salvador, a usina foi construída pela Companhia Linha Circular de Carris da Bahia (CLC), a partir de contrato firmado com a empresa Guinle & Companhia. Utilizava óleo cru como combustível e contava, originalmente, com uma unidade geradora com 1.500 kW de potência. Em 1929, passou ao controle da Companhia Energia Elétrica da Bahia (CEEB). Foi ampliada em 1949, passando a ser conhecida como Preguiça Nova, tendo sido desativada em 1962.

Criação, em Londres da Pará Electric Railways & Lightning Company Ltd., uma das concessionárias pioneiras na geração e distribuição de energia elétrica na região Amazônica. Era responsável pela produção da energia termelétrica que permitia o abastecimento da cidade de Belém (PA). Em 1947, os serviços explorados pela empresa foram assumidos pelo Departamento Municipal de Força e Luz.

1904 VerbeteA1Fachada principal do prédio sede da Light na avenida Marechal Floriano, cidade do Rio de Janeiro (RJ). Década de 1910. Acervo Museu da Imagem e do Som (RJ)

Criação em Toronto (Canadá), da empresa Rio de Janeiro Tramway, Light & Power Company, com capitais canadense e norte-americano. Conhecida como Rio Light, atuou nos serviços de fornecimento de energia elétrica, iluminação, transportes e telefonia no município do Rio de Janeiro (RJ). Adquiriu diversas empresas como a Rio de Janeiro Gaz Company, responsável pelos serviços de gás e iluminação elétrica; a Companhia de Bondes de Vila Isabel, a Estrada de Ferro do Corcovado, a Companhia Ferro-Carril Carioca e a Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, no setor de transportes; além da Rio de Janeiro Telephone Company. A partir de 1912, passou ao controle da Brazilian Traction, Light & Power Company Ltd., holding do grupo Light no Brasil. Nas décadas de 1920 e 1930, absorveu, no interior do estado do Rio de Janeiro, a Companhia Industrial de Eletricidade, a Empresa Força e Luz Floriano, a Empresa Fluminense de Força e Luz, a Sociedade Comercial e Industrial Suíça e a Companhia Fiação e Tecidos São José.

1904 VerbeteB1Vista dos condutos forçados da Usina Hidrelétrica Piabanha, localizada no rio Piabanha, município de Três Rios (RJ). Julho de 1907. Acervo Memória da Eletricidade

Criação da empresa Guinle & Companhia, sucessora da Aschoff & Guinle, originada, por sua vez, da firma Gaffrée & Guinle, criada em 1872 por Cândido Gaffrée e Eduardo Guinle, com atuação na importação de tecidos e na construção de estradas de ferro, além de concessionária, através da Companhia Docas de Santos, da construção e exploração do porto de Santos. A Guinle & Companhia dedicou-se ao comércio de artigos elétricos, representando fabricantes estrangeiros, como a General Electric, e à construção de usinas e linhas de transmissão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Em 1908, com projeto do engenheiro César Rabelo, a empresa inaugurou a Usina Hidrelétrica Piabanha, com 9.000 kW, no rio Piabanha, município de Três Rios (RJ). Uma das maiores usinas do país à época, era responsável pela maior parte do fornecimento de energia elétrica no estado do Rio de Janeiro. Em 1909, a Guinle & Companhia tornou-se acionista majoritária da Companhia Brasileira de Energia Elétrica (CBEE), para a qual foram transferidas suas concessões para serviços de energia elétrica, bondes e telefonia. Em 1927, a Guinle & Companhia transferiu o controle acionário da CBEE para a American & Foreign Power Company (Amforp).Fachada principal da Usina Hidrelétrica Piabanha, localizada no rio Piabanha, município de Três Rios (RJ). S/d. Acervo Memória da Eletricidade

Aprovação, pelo Congresso Nacional, do primeiro texto de lei brasileira sobre a energia elétrica no país – a Lei nº 1.145, de 31 de dezembro de 1903, artigo 23. Por esse dispositivo, o governo foi autorizado a promover, por via administrativa ou mediante concessão, o aproveitamento da força hidráulica para transformação em energia elétrica, para os serviços federais, facultando o emprego do excedente na lavoura, na indústria ou em outros fins. Essa determinação foi regulada pelo Decreto nº 5.407, de 27 de dezembro de 1904, que estabeleceu regras básicas para os contratos de concessão de aproveitamento aplicado aos serviços federais.

1901 VerbeteA1Vista da Usina Hidrelétrica Parnaíba, no rio Tietê, em Santana do Parnaíba (SP). 1911. Acervo FPHESP

Entrada em operação da Usina Hidrelétrica Parnaíba, primeira do país a contar com uma barragem de mais de 15 metros de altura. Pertencente à São Paulo Tramway, Light & Power Company Ltd., a usina, situada no rio Tietê, município de Santana do Parnaíba (SP), possuía 2.000 kW de capacidade instalada inicial. Em 1949, passou a se chamar Usina Hidrelétrica Edgard de Souza e, em 1952, foi desativada.

1901 VerbeteA2Barragem da Usina Hidrelétrica Parnaíba, no rio Tietê, em Santana do Parnaíba (SP). 28 de agosto de 1908.

Corpo gerencial e técnico da São Paulo Tramway Light and Power Co. De baixo para cima, da esquerda para a direita, primeira fileira: A. C. Borba, Hughes, C. Abbott, Gants, D. Mulqueen, R. C. Brown, A. Mackenzie; M. Martwell, C. Dufresne; segunda fileira: Mc Lean, Isman, G. G. Mitchell, T. W. Bevan, Talbot, John Doyle, L. M. Sinclair, Almeida, Wadleigh, Ryan, C. Kearney; terceira fileira: Kearns, Conley, Harrison, A. Normanton, Hughes, Kraus, James Mitchell, C. B. Graves, Snow, Doe. 1900. Acervo FPHESP

Início da operação, em São Paulo (SP), da primeira grande empresa de energia elétrica do país – a São Paulo Tramway, Light & Power Company Ltd. Criada em Toronto (Canadá), com capitais canadense e norte-americano, sucedeu a São Paulo Railway, Light & Power Company Ltd., fundada neste mesmo ano. Detinha o monopólio dos serviços de bondes elétricos e do fornecimento de energia elétrica. A primeira linha de bondes da empresa, que ligava o bairro da Barra Funda à região central da cidade, com energia gerada por usina a vapor de 550 kW, foi inaugurada em 1900, mesmo ano da incorporação da Companhia de Água e Luz do Estado de São Paulo. Absorveu diversas empresas privadas de âmbito municipal como, na década de 1920, a Companhia Ituana de Força e Luz, de 1903; a Empresa Luz e Força de Jundiaí, de 1904; a Companhia Força Jacareí-Guararema, de 1910; a Companhia Força e Luz Norte de São Paulo; a Empresa de Eletricidade São Paulo e Rio; e a Empresa Hidro Elétrica da Serra da Bocaina, as três de 1911. Em 1912, passou ao controle da Brazilian Traction, Light & Power Company Ltd., holding do grupo Light no Brasil.

1899 VerbeteA2Inauguração do bonde elétrico na cidade de São Paulo (SP). 21 de fevereiro de 1900. Acervo FPHESP

Criação da Companhia Força e Luz de Minas Gerais (CFLMG), concessionária dos serviços de energia elétrica nos municípios de Belo Horizonte, Itabira e Santa Bárbara, em Minas Gerais. Foi adquirida, em 1929, pelo grupo American & Foreign Power Company (Amforp). Em 1964, em decorrência da compra da Amforp pelo governo federal, passou ao controle da Eletrobras, sendo incorporada pela Centrais Elétricas de Minas Gerais S.A. (Cemig) em 1973.