1879-1896 – Experiências e empreendimentos pioneiros

Lâmpada de Edison

A primeira lâmpada incandescente de Thomas Alva Edison. S/d. Acervo Museu da Energia – Enel

D. Pedro II concedeu a Thomas Alva Edison o privilégio de introduzir no Brasil aparelhos e processos destinados à utilização da luz elétrica na iluminação pública.

fachada central do brasilFachada principal da Estação Central da Estrada de Ferro D. Pedro II. S/d. Acervo Memória da Eletricidade

Inauguração da primeira instalação de iluminação elétrica permanente no país. Instalada na Estação Central da Estrada de Ferro D. Pedro II, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), a inovação funcionou por um período de sete anos. Compreendia um locomóvel de 7 CV, dois dínamos Gramme e seis lâmpadas de arco, do tipo Jablochkoff, que substituíram os 46 bicos de gás que até então iluminavam o local. Foi a primeira vez que a energia elétrica foi gerada por meios mecânicos no Brasil. Após a Proclamação da República, em 1889, a Estrada de Ferro D. Pedro II passou a denominar-se Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB).

Por ordem do Governo Imperial, a Diretoria Geral dos Telégrafos instalou, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), a primeira iluminação externa pública do país. Um trecho do Jardim do Campo da Aclamação, atual Praça da República, foi iluminado por 16 lâmpadas de arco voltaico, alimentadas por dois dínamos acionados por um locomóvel.

Durante a inauguração da Exposição Industrial, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), realizou-se a primeira demonstração de iluminação de edificações no Brasil, no prédio do Ministério da Viação e Obras Públicas, situado no Largo do Paço, atual Praça XV de Novembro. As 60 lâmpadas do sistema Edison utilizavam a energia elétrica produzida por um dínamo de 10 HP.

Inauguração de serviço de iluminação elétrica pública em Campos, pioneiro na América do Sul.

A primeira usina hidrelétrica do país entrou em operação no Ribeirão do Inferno, afluente do rio Jequitinhonha, em Portão de Ferro, na cidade de Diamantina (MG). O empreendimento foi uma iniciativa do engenheiro Arthur Thiré e utilizava uma queda de cinco metros de altura, com dois dínamos acionados por roda d’água de madeira, movimentando duas bombas de desmonte hidráulico que, com jatos d’água, revolviam o terreno rico em diamantes. A energia produzida era usada a dois quilômetros de distância, através de uma linha de transmissão considerada bastante extensa para a época.

Realização da primeira experiência da tração elétrica em transportes no país, na cidade de Niterói (RJ). Era a Linha Fonseca de bondes elétricos, que funcionou durante dois anos. O sistema de tração elétrica foi desenvolvido tendo em conta a utilização de acumuladores adaptados aos carros, sendo batizado com o nome do seu inventor, Carlos Bastos.

A primeira usina do Rio Grande do Sul, a termelétrica Velha Porto Alegre, entrou em operação e tornou Porto Alegre a primeira capital brasileira a contar com iluminação pública elétrica. A usina foi construída pela Companhia Fiat Lux, utilizava lenha como combustível e possuía, inicialmente, um dínamo de 160 kW. Com as ampliações verificadas até o final da década de 1930, a usina chegou a totalizar 18.630 kW de capacidade instalada, sendo desativada em 1949. Este foi o segundo serviço de iluminação a ser instalado em caráter permanente no país.

1889 VerbeteA1Início das obras de construção da barragem da Usina Hidrelétrica Marmelos-Zero, localizada na cachoeira Marmelos, rio Paraibuna, em Juiz de Fora (MG). S/d. Acervo Professor Dormevilly

A primeira usina hidrelétrica de maior porte do Brasil, a Marmelos Zero, entrou em operação. O empreendimento pertencia à Companhia Mineira de Eletricidade (CME), do industrial Bernardo Mascarenhas. Localizada na cachoeira Marmelos, no rio Paraibuna, em Juiz de Fora (MG), a usina gerava energia elétrica para a fábrica de tecidos de Bernardo Mascarenhas e para a iluminação pública da cidade, por meio de dois grupos geradores de 125 kW cada. Foi ampliada em 1892 e passou a contar com mais um grupo gerador de 125 kW. Deixou de funcionar em 1896, quando foi inaugurada a Usina Hidrelétrica Marmelos I.

1889 VerbeteA2Vista da casa de força da Usina Hidrelétrica Marmelos-Zero, localizada no rio Paraibuna, município de Juiz de Fora (MG). S/d. Acervo Cemig

Entrada em operação da primeira usina do estado do Paraná, em Curitiba. Com projeto do engenheiro Leopoldo Stack, a usina foi construída a partir de contrato firmado entre a Intendência Municipal de Curitiba e a Companhia de Água e Luz do Estado de São Paulo. Contava com duas máquinas a vapor e utilizava lenha como combustível. Em 1901, foi substituída pela Usina Térmica Curitiba ou Capanema, construída pela José Hauer & Filhos, nova concessionária dos serviços de iluminação no município.

1892 VerbeteA1Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, no Largo do Machado, Rio de Janeiro (RJ). S/d. Acervo Museu da Imagem e do Som (RJ) 

Inauguração, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), da primeira linha de bondes elétricos instalada em caráter permanente no país. A linha pertencia à Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico e ligava o Largo dos Leões, no bairro de Botafogo, ao Largo do Machado, passando pelos bairros do Catete e Laranjeiras, servindo também ao bairro do Flamengo e adjacências.

1889 VerbeteA2 (1)Inauguração do bonde elétrico na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Outubro de 1892. Acervo AGCRJ.

Entrada em operação da primeira usina hidrelétrica do estado de São Paulo, a usina de Monjolinho. Localizada no ribeirão Monjolinho, no município de São Carlos, começou a funcionar com dois geradores de 50 kW cada. Foi construída pela Empresa Elétrica de São Carlos, passando à sua sucessora, a Companhia Elétrica de São Carlos, que a reconstruiu, 300 metros a jusante, sendo reinaugurada em 1909. A usina pertenceu, em seguida, à Companhia Paulista de Eletricidade (CPE) e, finalmente, à Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

A primeira usina do estado do Rio de Janeiro, a hidrelétrica Itamarati, entrou em operação. Instalada no rio Itamarati, afluente do rio Piabanha, no município de Petrópolis, a usina aproveitava queda de 85 metros de altura e possuía quatro grupos geradores com 648 kW de potência. Pertencia ao Banco Construtor do Brasil e destinava-se à iluminação de Petrópolis.

Início da operação da primeira usina do estado do Amazonas, a termelétrica Plano Inclinado, localizada em Manaus. A usina utilizava lenha como combustível e possuía uma unidade geradora com 68 kW de potência, capacidade duplicada dois anos depois. Foi desativada em 1910.

Inauguração da primeira usina do estado do Pará, a termelétrica Belém I, localizada na capital. Foi construída pela Companhia Urbana de Estradas de Ferro Paraense e contava com oito máquinas a vapor, totalizando 3.200 HP. A energia gerada era destinada à iluminação pública e particular. Em 1905, a usina passou à Pará Electric & Lighting Company Ltd e posteriormente, esteve sob a responsabilidade da Prefeitura de Belém e da empresa Força e Luz do Pará (Forluz) até ser desativada, em 1956.